Em denúncia à TV Gazeta, nesta terça-feira (6), uma mulher afirma passar por constrangimento durante atendimento médico, no Centro de Controle Oncológico (Cecon), em uma consulta ginecológica. A vítima, que não quis ser identificada, relata ter sido coagida a aceitar a presença de sete estagiários no local, que realizaram o atendimento orientados pela médica responsável.
“Eu olhei para a secretária e já questionei. Ela não me respondeu, quem respondeu foi a médica: ‘Você tem a opção de agendar para outro médico, porque eles não podem sair da sala’. Eu fiquei arrasada, mas como precisava muito fazer esse exame, não tive outra opção”, detalha a denunciante.
Ela lembra que não esperava esse posicionamento da profissional. Conta que ficou tão nervosa e se sentiu acuada, que não conseguiu reagir. Disse, ainda, que a médica apenas orientava os residentes e que foram eles que realizaram todos os exames. Não sabe nem quantos deles fizeram o exame de toque nela.
“Eu percebi que a médica não tocou em mim, quem tocou em mim foram os estagiários. Ela ficou olhando e dizendo o que tinha que fazer, isso eu ouvi muito bem, só não vi quantas pessoas tocaram em mim”, ressalta.
O caso aconteceu em um Centro de Controle Oncológico (Cecon), em Rio Branco. A unidade é referência para o tratamento de lesões relacionadas ao câncer. Os pacientes só chegam depois de regulados na atenção básica.
A gerente-geral do Cecon, Muana Araújo, quando procurada, esclareceu que o centro atua também como unidade escolar para residentes das especialidades de radiologia, mastologia e ginecologia. Segundo ela, eles costumam acompanhar os médicos durante os procedimentos.
“A nossa unidade, além de ser especializada, também é uma unidade escolar, onde nós temos tanto residentes quanto internos que passam a acompanhar essa especialidade. O que acontece é que nós temos médicos especialistas, que tem os seus residentes aqui, e eles acabam aprendendo”, explica Araújo.
A coordenadora garante que é obrigatório que a paciente concorde com a presença dos residentes durante a realização de consulta ou exame. Muana Araújo afirma não ser esse o protocolo padrão que deve ser seguido na unidade e garante que vai investigar o comportamento da profissional.
“A gente vai tomar conhecimento do caso e tomar medidas cabíveis para que outros pacientes não passem por essa situação. Vamos tratar administrativamente e entender o que aconteceu, porque existem protocolos a serem seguidos. Iremos falar com a nossa equipe de médicos para explicar e tornar o padrão do procedimento”, afirma a gerente.
A denunciante afirma que se fosse apenas um estagiário, ela não teria problema em aceitar a presença. Porém, por se tratar de sete pessoas, foi uma situação constrangedora.
“Eu acho que se ela perguntasse se aceitaria um estagiário, tudo bem apenas um estagiário. Precisa tanto estagiário para uma paciente? Por que não entra um estagiário para cada paciente? Eu acho que essa médica tem que repensar o que ela está fazendo, porque isso não deixa a gente à vontade”, afirma a vítima.
Matéria produzida em vídeo pela repórter Débora Ribeiro para a TV Gazeta



