O avanço da disputa entre facções criminosas nos bairros Belo Jardim I, II e III, no Segundo Distrito de Rio Branco, tem provocado uma escalada de violência e um cenário de medo entre moradores da região. Além dos incêndios criminosos registrados nos últimos dias, relatos apontam para famílias sendo obrigadas a deixar suas casas sob ameaça.
Um morador do bairro, que pediu para não ser identificado, descreveu a situação como insustentável e afirmou que o clima de tensão afeta toda a comunidade.
“O bairro todo está em desespero. As igrejas não conseguem nem fazer culto direito, tem que terminar cedo por causa das brigas e das facções. Tem famílias sendo expulsas, comércio sendo fechado e pessoas tendo que sair de uma hora para outra”, relatou.
Segundo ele, somente até o início da tarde desta terça-feira (6), ao menos três famílias já tinham deixado o bairro, mas o número pode ser maior, já que muitas saídas ocorrem de forma silenciosa, por medo de represálias.
“Essas pessoas não têm alternativa. São pessoas que não têm envolvimento com nada, mas acabam pagando porque têm parentes. Estão dizendo que até a quinta geração tem que sair. É uma correria, porque como é que você sai de um lugar assim, de uma hora para outra?”, questionou.
O morador também relatou que igrejas da região estão esvaziando, com fiéis sendo intimidados até mesmo durante os cultos.
“As pessoas estão na igreja orando, mas até na hora do culto estão chegando para mandar as pessoas irem embora. Já saiu muita gente do bairro e vai sair mais. É o Belo Jardim 1, 2, tudo desse jeito”, afirmou.
Incêndios criminosos
A tensão aumentou após uma sequência de incêndios criminosos atribuídos à disputa entre as facções Comando Vermelho (CV) e Bonde dos 13 (B13). Na segunda-feira (5), integrantes do CV teriam invadido uma área dominada pela facção rival e incendiado três residências.
Já na terça-feira (6), a represália teria ocorrido na Rua 25 de Dezembro, no bairro Belo Jardim II, onde duas casas foram incendiadas, supostamente por integrantes do Bonde dos 13.
Ao todo, cinco incêndios estão sob investigação da Polícia Civil.
Ações das forças de segurança
Equipes do 2º Batalhão da Polícia Militar foram acionadas para atender as ocorrências e realizar patrulhamento na região. O Corpo de Bombeiros Militar também atuou no combate às chamas e no rescaldo dos imóveis atingidos.
As forças de segurança informaram que o policiamento foi reforçado no Segundo Distrito como forma de prevenir novos ataques e reduzir o risco de novos confrontos.
Enquanto isso, moradores cobram uma resposta mais efetiva do Estado.
“A gente pede a justiça, pede a polícia que entre com a bandeira da paz no bairro. Se não entrarem, muita gente ainda vai ser expulsa”, concluiu o morador.
Matéria produzida em vídeo pelo repórter Adailson Oliveira para TV Gazeta



