O cessar-fogo anunciado entre Israel e o Hamas trouxe um momento de respiro para quem vive a guerra de longe. Em Rio Branco, o palestino Montaserbelah Alshawwa, que mora há 11 anos no Acre, falou à TV Gazeta sobre o alívio e a esperança que o novo acordo representa, ainda que o medo de novas violências continue presente.
Montaser perdeu 120 familiares nos ataques aéreos em Gaza e, desde o início do conflito, tenta trazer ao Acre a mãe, o pai, um irmão e duas cunhadas que sobreviveram à destruição.
“Não foi fácil, foi complicado, mas consegui manter o trabalho aqui, mesmo preocupado com minha família. Já tive crises de ansiedade, dias em que não conseguia sair de casa. Saber que sua família está em risco e ficar dias sem notícias é algo que não desejo a ninguém”, contou.
O palestino diz que o cessar-fogo representa uma chance de recomeço, mas lembra que o povo ainda vive sob medo e incertezas.
“Já ouvimos promessas antes, mas quero acreditar que dessa vez vai ser diferente. O povo da Palestina precisa respirar, precisa reconstruir suas vidas, suas casas, seus sonhos. Nós não queremos guerra. O povo palestino ama a vida, ama a terra e ama a família. Quero apenas viver em paz, com dignidade.”
Ele explica que todos os trâmites burocráticos para trazer os familiares já foram concluídos, faltando apenas a liberação do Estado de Israel para saída pela fronteira com o Egito.
“Já fizemos tudo: documentos, convite, comunicações oficiais. Agora peço novamente um gesto humanitário do governo brasileiro e das autoridades internacionais. Só quero ter minha família perto e reconstruir a vida deles com segurança.”
Mesmo distante, Montaser acompanha o noticiário todos os dias e afirma que, embora o cessar-fogo traga esperança, o medo permanece. “A gente vive entre a esperança e o trauma. Ninguém sabe o que vai acontecer amanhã”, disse emocionado.
Entenda o cessar-fogo em Gaza

O acordo de cessar-fogo entre Israel e o Hamas deve ser assinado formalmente nesta quinta-feira (9), no Egito, e prevê a libertação de reféns israelenses e prisioneiros palestinos, além do recuo das tropas israelenses da Faixa de Gaza.
O plano, mediado pelos Estados Unidos e pelo presidente egípcio Abdel Fattah al-Sisi, é considerado o primeiro avanço concreto após dois anos de guerra. Estima-se que o conflito já tenha deixado mais de 70 mil palestinos mortos, além de 1.200 israelenses mortos nos ataques do Hamas em outubro de 2023.
Segundo o presidente norte-americano Donald Trump, a primeira fase do acordo inclui o cessar-fogo imediato e a criação de um Conselho de Paz com representantes internacionais e palestinos para supervisionar a implementação das medidas. A libertação dos reféns deve começar nos próximos dias, enquanto negociações sobre o futuro de Gaza e o desarmamento do Hamas serão discutidas em etapas posteriores.
Organismos internacionais classificam a situação humanitária em Gaza como “catastrófica”, com escassez de água, comida e medicamentos. Mesmo com o acordo, especialistas alertam que o processo de reconstrução será longo e complexo, exigindo cooperação internacional e garantias de segurança para a população civil.
Com informações do repórter Adailson Oliveira, para a TV Gazeta



