O pastor Natalino do Nascimento Santiago, de 50 anos, vai a júri popular pela morte da ex-esposa Auriscléia Lima do Nascimento, de 25 anos, assassinada a golpes de terçado no dia 11 de junho de 2025, no Assentamento Campo Alegre, zona rural de Capixaba, interior do Acre. A decisão é da Vara Única Criminal da Comarca de Capixaba e foi publicada nesta terça-feira (21) pelo juiz Bruno Perrotta de Menezes.
De acordo com o processo, Natalino foi pronunciado por feminicídio qualificado, cometido por razões de gênero, com meio cruel e na presença do filho menor, além de tentativa de homicídio contra o próprio filho, de 14 anos. O magistrado também desclassificou o crime de tentativa de homicídio contra o cunhado da vítima, Alan Lima do Nascimento, para lesão corporal, que continuará sendo apreciada pelo júri devido à conexão com o caso principal.
O juiz destacou que a decisão visa garantir a ordem pública e a integridade física e psicológica dos sobreviventes. Natalino segue preso preventivamente, representado pela Defensoria Pública, e o julgamento ainda não tem data marcada.
Relembre o crime
O crime ocorreu na manhã de 11 de junho, após uma discussão motivada por ciúmes e disputa pela guarda do filho do casal. Armado com um terçado, Natalino atacou Auriscléia, desferindo vários golpes na frente do menino. O adolescente tentou defender a mãe e acabou ferido na cabeça.
Durante o ataque, o cunhado da vítima tentou intervir, mas também foi atingido. Auriscléia morreu ainda no local. Após o crime, o pastor fugiu para uma área de mata dentro da Reserva Extrativista Chico Mendes, onde permaneceu escondido por quatro dias até ser capturado pela polícia.
Em depoimento, ele confessou o assassinato, alegando ciúmes e desentendimentos sobre a guarda do filho.
Histórico de violência
O pastor já tinha um extenso histórico criminal. Foi condenado a 35 anos de prisão pelo assassinato de Silene de Oliveira, em 2000, em Senador Guiomard, crime cometido na frente dos filhos pequenos da vítima. Segundo familiares, Natalino teria abusado do corpo da mulher após o homicídio.
Em 2011, foi investigado por outro homicídio, no bairro Palheiral, em Rio Branco. Mesmo com as condenações, obteve progressão de regime, descumpriu as regras e tornou-se foragido.
Durante o período em que estava foragido, Natalino se apresentava como líder religioso em Capixaba, onde conheceu Auriscléia e iniciou o relacionamento que terminou em tragédia.
Com a decisão, o caso segue para julgamento pelo Tribunal do Júri, em data ainda a ser definida pela Justiça do Acre. Natalino permanece preso à disposição do Judiciário.
Com informações de Luan Rodrigo, para a TV Gazeta.



