Uma onda de calor vai se espalhar por todo o Brasil nesta semana e, segundo previsão do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), algumas regiões do país vão registrar temperaturas entre 40ºC e 45ºC. No Acre, o calor que já é grande, pode haver uma piora.
De acordo com o professor e pesquisador da Universidade Federal do Acre (Ufac), Irving Foster Brown, existe um conjunto de fatores que acarreta o aumento da temperatura no país.
“O primeiro é o El Niño, que está se desenvolvendo e fica notável o aumento de temperatura a partir de julho. O El Niño é a água quente do oceano pacífico equatorial que vai influenciando outras partes do planeta, inclusive a Amazônia”, destaca Brown.
Além disso, conta que faz décadas que temos a ampliação da temperatura global, devido aos gases do efeito estufa.
“Outro fator é o desmatamento. Existe uma tendência de aumento, porque as florestas servem como tampão, transformando o calor em calor latente, que é a evaporação. Então, se não tem floresta, não há sombreamento e, em épocas secas, não há o processo efetivo de transpiração”, afirma.
O professor informa ainda que, apesar das temperaturas do país sejam altas esta semana, o Acre deve ficar entre 35ºC e 37ºC, com previsão de pancadas de chuvas.
“A previsão para os próximos dias é de chuva, mas a temperatura em média deve ficar entre 35ºC e 37ºC. Se chover, o calor pode melhorar. É previsto que chova novamente daqui três ou quatro dias”, comenta.
Ele destaca também que, em comparação a agosto do ano passado, a temperatura teve um aumento diário de 1.8ºC. Até brinca quando fala que se perguntar a uma pessoa “mais madura” como ele, ao olhar 30 ou 40 anos atrás, está bem mais quente agora.
“Se pergunta isso para um garoto de 14 anos, provavelmente ele não vai perceber muita mudança”, destaca.
A comparação que ele faz serve para mostrar que, com o passar dos anos, a temperatura só tende a aumentar cada vez mais. Os “1.8ºC” não podem apresentar tanta mudança assim para a população mais nova, porém, aos mais velhos, que percebem o calor mais intenso ao decorrer das décadas, se torna algo preocupante.
Brown fala ainda que existe um relatório do início de julho, onde alerta sobre quatro ocorrências que a seca pode acarretar: potencial falta de água, ondas de calor, incêndios e fumaça.
“Esse ano teve menos casos de fumaça comparado aos outros, mas nossa preocupação é para os próximos meses, também para as chuvas abaixo do normal e temperaturas acima do normal”.
Trópicos
De acordo com o pesquisador, os Trópicos do planeta (Câncer e Capricórnio) estão com as temperaturas acima de qualquer número desde 1979. Mais de 40 anos.
“Dentro deste contexto, não é surpresa que o Brasil, como parte de um Trópico, está com tendência de ficar com as temperaturas acima do que era considerado normal nos últimos 40 anos”, reitera.
O Acre não está localizado perto do Trópico que corta o Brasil, o de Capricórnio, então a onda de calor pode ou não atingir o Estado. Apesar disso, a seca amazônica é uma realidade há meses e, com a nova onda que vai atingir o país, a situação deve piorar de forma significativa.



