Extrativistas são abordados, ameaçados e saqueados nas margens do Riozinho do Rola
Por Adailson Oliveira
A coleta da castanha-do-brasil se dá entre os meses de dezembro e março. E depois de encontrar o ouriço, o produtor precisa quebrar e levar em ‘paneiros’ (cesta de palha trançada à mão e recoberta com folhas frescas de guarimã) até a beira do rio, igarapé ou do ramal.
Muitas são as dificuldades de tirar a castanha pelo igarapé, na região do riozinho. Para passar com o carregamento é preciso cortar os galhos e o caule das árvores que caem durante a cheia. Mas todo esse trabalho está ficando perdido quando a castanha chega no rio, onde será escoado até a cidade.
Quadrilhas estão roubando toda a produção. Elas estão sendo chamadas de “Piratas da Castanha”. Os bandidos chegam armados e obrigam os produtores a embarcarem a castanha no barco onde estão, geralmente são grandes ‘voadeiras’, embarcação movida a motor com estrutura e casco de metal.
As quadrilhas atacam os barcos quando os produtores estão distantes do seu ponto de partida, além de ficar mais fácil para fugir, também dificulta que a vítima tenha como denunciar.
O representante do Sindicato dos Extrativistas e Trabalhadores Assemelhados de Rio Branco (Sinpasa) disse que denunciou o caso à Secretaria de Segurança Pública do Acre em janeiro de 2022, mesmo assim vários roubos aconteceram e ninguém foi preso ou a teve a castanha recuperada.
Josa Ferreira, presidente Sinpasa afirma que muitas são as situações de roubo contra os extrativistas, e pede segurança dos órgãos públicos. “A gente já colocou como pauta para o governo criar um pelotão de hidrovias para fazer o patrulhamento”, lembra.
Os produtores são ameaçados pelas quadrilhas, que com medo, muitos falam em parar com a coleta da amêndoa. Acreditam que não vale a pena trabalhar tanto durante três meses e ficar sem nada. Além de correr o risco de perder a vida.
O sindicato acredita que a castanha fica armazenada em Rio Branco e depois é vendida para os bolivianos, que compram com valor mais baixo e conseguem levar facilmente as cargas para fronteira.

SEGURANÇA
Uma delegacia especializada poderia atuar nessa situação. Aliás, crimes rurais viraram práticas comuns no Acre. São várias queixas e prejuízos decorrentes de roubo de gado, máquinas e equipamentos em propriedades, e agora a castanha.
A equipe da TV Gazeta entrou em contato com a Secretaria de Segurança e Polícia Civil, entretanto, o órgão não se manifestou sobre o assunto. De acordo com o Sinpasa, três comunidades foram alvos dos “Piratas da Castanha”.
“Na época em que estão trazendo a produção de castanha, os piratas encostam, pegam a produção, saqueiam os barcos e levam o que podem”, explica o Josa Ferreiram.
O sindicato disse que já passou ao Governo do Estado esse novo crime contra os seringueiros e ribeirinhos que aconteceram no início de 2022, no auge da coleta e venda da castanha. A Secretaria de Segurança informou que até o momento não recebeu nenhuma denúncia ou informação sobre a castanha roubada nas áreas ribeirinhas, e espera encontrar ao menos uma vítima, para que se comece as investigações.
O Diretor de Operações, Coronel Ulysses Torres, informou que procurou nos arquivos algum crime sobre roubo de castanha e nada foi encontrado, porém já acionou o Serviço de Inteligência e vai convocar o Sindicato a prestar informações. Como não tem um pelotão ou Delegacia Especializada em crimes rurais, a patrulha ambiental da Polícia Militar e o Grupo Especial de Fronteira – Gefron, podem fazer esse trabalho de vigília nos rios.
“Já colocamos o serviço de inteligência para verificar a situação, tendo em vista que não foi detectado nenhuma vítima oficialmente que tenha registrado um Boletim de Ocorrências sobre essa situação. E também não recebemos comunicado ou procura do sindicato, no sentido de podermos realizar uma ação mais efetiva”, finaliza Torres.




