A Polícia Civil do Acre apresentou, nesta segunda-feira (5), novos detalhes sobre a investigação que apura o desvio de medicamentos e materiais cirúrgicos da rede pública de saúde. As informações foram repassadas durante coletiva de imprensa realizada no auditório da Direção-Geral da instituição, em Rio Branco.
A coletiva foi conduzida pelo diretor-geral da Polícia Civil, José Henrique Maciel, acompanhado do delegado responsável pelo inquérito, Igor Brito, e do secretário de Estado de Saúde, Pedro Pascoal. Segundo Maciel, a operação divulgada mais cedo faz parte de uma investigação em andamento há vários meses e teve início a partir de uma solicitação da própria Secretaria de Saúde.
“Essa investigação iniciou com o pedido do secretário de Saúde, doutor Pedro, e isso demonstra que o governo não compactua com qualquer tipo de coisa ilegal dentro do governo”, afirmou o diretor-geral.
Durante a entrevista, Maciel confirmou que, além do idoso Eugênio Gonçalves Neves, de 74 anos, outras pessoas estão sendo investigadas, incluindo servidores públicos. De acordo com ele, novas prisões podem ocorrer a qualquer momento, conforme o avanço das diligências.
“Vão aparecer. A polícia vai indiciar, se for necessário vai representar por prisão, por mandado de busca e apreensão. Nós não vamos parar por aqui, isso é apenas o início”, declarou.
Outro ponto destacado na coletiva foi a apuração sobre o destino dos medicamentos desviados. A Polícia Civil trabalha com a hipótese de que os produtos tenham sido comercializados ilegalmente, inclusive em farmácias da capital e do interior do estado.
“O principal é que hoje nós temos provas robustas de que havia medicamentos desviados das unidades. Agora, para onde estava indo esse material é o trabalho que estamos fazendo”, explicou Maciel.
O delegado Igor Brito detalhou o volume e o tipo de produtos apreendidos, reforçando a dimensão do esquema investigado. Segundo ele, o material encontrado ocupava praticamente todos os cômodos do imóvel alvo da operação.
“A casa não cabia mais de tanto medicamento. Tinha por todos os locais, medicamentos de alto valor, remédios controlados, opioides. Estima-se mais de um milhão de reais, por baixo”, afirmou o delegado.
Brito ressaltou ainda que entre os itens havia medicamentos utilizados durante a pandemia da Covid-19, que chegaram a faltar na rede pública naquele período.
O secretário de Estado de Saúde, Pedro Pascoal, informou que a Sesacre já havia identificado indícios de irregularidades em 2023, mas que, à época, não existiam provas suficientes para a instauração do inquérito policial.
“Tínhamos informações preliminares de que essas medicações estavam sendo extraviadas. Além das medicações, também evidenciamos o furto de insumos como luvas, materiais para diálise e outros equipamentos do serviço público”, disse.
Com informações do repórter Marilson Maia para TV Gazeta e editada pelo site Agazeta.net



