Mais de 20 km depois da BR-364, no Polo Belo Jardim, zona rural de Rio Branco, a realidade das mais de 40 famílias que vivem no local é marcada pelo abandono. Os ramais, nunca asfaltados, estão em situação precária e dificultam o escoamento da produção agrícola, especialmente a macaxeira, cultivada em abundância na região. O prejuízo já supera o lucro, e a principal preocupação é com a ponte que dá acesso tanto à cidade quanto ao restante do ramal, hoje à beira de um colapso.
O produtor rural José Domingos, morador do Polo há 52 anos, relata que a situação só se agrava com o passar dos anos.
“A gente produz, mas aí vocês estão vendo a situação da nossa ponte. Contar que as chuvas estão chegando, o ramal, vocês presenciaram aí, nós temos dois atoleiros para cá que não foi concluído, não passaram máquina nenhuma, então essa é a situação nossa aqui. Nós já fomos várias vezes lá com o diretor de ramais, o Carlinhos, e aí ele só promete que venha arrumar. Nós estamos já preocupados com a chegada do inverno, e aí a nossa situação é essa”, disse.
O problema não atinge apenas os produtores. Alunos da escola da comunidade dependem do transporte escolar, mas, por causa da fragilidade da ponte, o ônibus deixou de passar. Agora, muitas crianças precisam chegar às aulas de moto, cavalo, bicicleta ou mesmo a pé.
“Se não for dar um jeito de levar, o motorista não consegue chegar até lá”, reclamam os moradores.
As marcas deixadas pela última enchente ainda estão visíveis em postes do ramal. Com a chegada das chuvas, o cenário tende a piorar: lama, atoleiros e trechos intrafegáveis se tornam rotina. Moradores, prevendo as dificuldades, improvisaram cabos de aço amarrados em árvores ao longo da estrada, para que veículos com tração possam puxar os atolados durante o inverno.
Segundo relatos, a Secretaria de Agricultura do município já prometeu melhorias, mas nenhuma intervenção foi realizada até agora. Os moradores reivindicam ao menos a revitalização das principais pontes, já que obras completas nos ramais ficam inviáveis durante o período chuvoso.
O produtor Elissandro Silva reforça o pedido de atenção às autoridades.
“Desde a minha adolescência, eu vim vendo que a população me forma. Da mata, vem aqui alguma ajuda da prefeitura, mas há anos isso não acontece. Poxa, olha para a comunidade, olha para as pessoas que levam. O pobre e o rico também comem a mesma produção que sai daqui. É uma ascoação do nosso produto, o produto eterno bruto está aí mesmo para mostrar, entendeu?”, afirmou.
Com informações do repórter João Cardoso para TV Gazeta e editada pelo site Agazeta.net



