A história da mulher, vítima de uma paixão ensandecida
Imagens de câmeras de segurança instaladas próximo à loja onde a vendedora Keyla Viviane Santos foi esfaqueada mostram a frieza do assassino. O crime acontece na última segunda-feira, em frente ao local de trabalho da vítima, no bairro Estação Experimental. Nesta reportagem, a família da vítima conta em detalhes o relacionamento que terminou em tragédia e pede que o caso não fique impune.
A barbárie que vitimou a vendedora Keyla Viviane, 30, abriu o mês de março, período onde as mulheres são homenageadas. A violência contra a mulher volta a ser discutida, envolvendo mais um nome, que não pode opinar, nem pedir socorro.
As imagens de câmeras de segurança próximas ao local do crime chocam. O assassino espera a vítima pacientemente em frente ao trabalho dela. Keyla sai da loja e o ex-companheiro a segura pelo pescoço, afastando a mulher para um local menos iluminado. Ali ele começa a sessão de tortura. Foram três facadas. Uma nas costas, outra na virilha e uma no peito.
Mesmo com todos os esforços, a vítima não resistiu. “Foram trinta minutos de reanimação sem sucesso. A paciente perdeu muito sangue”, disse o médico do Samu, Pedro Pascoal.
Adjúnior dos Santos Sena, 32, foi preso em flagrante enquanto fugia do local do crime. Policiais do Batalhão de Operações especiais passavam pela rua minutos após o ocorrido, quando foram avisados por populares.
Segundo policiais que atenderam a ocorrência, Adjúnior estava alterado, possivelmente teria usado álcool ou entorpecente. O agressor teria confirmado na delegacia que veio até aqui, ao local de trabalho da vítima, com objetivo de matá-la. O casal estava separado há cerca de três meses.
Segundo a família de Keyla, Adjúnior não aceitava que ela estivesse feliz, após o fim do relacionamento. “Ele não queria mais nada com minha tia. Ela voltou a engordar, o cabelo estava grande de novo, com uma aparência melhor, estava feliz, tava com uma pessoa boa. Ele quando viu isso, quis acabar com minha tia. Matou”, disse Matheus Tavares, um dos sobrinhos mais próximos de Keila.
O jovem fala sobre a tia com carinho, já que ela cuidou dele desde os primeiros passos. A mãe da vítima está abalada e pediu para que ele represente a família, no clamor por Justiça.
O relacionamento de Keyla e Adjúnior começou há quatro anos. Eles se conheceram pela internet, e logo foram morar juntos. Segundo Matheus, a partir desse momento, Keyla que tinha duas filhas, de outro relacionamento começou a se afastar da família. As meninas, uma de 13 anos e outra de 15 moram com a avó. Ter se afastado também das filhas, pode ter sido uma medida calculada pela mãe, para protegê-las de Adjúnior.
“Ele era muito ignorante com ela. Como a família não apoiava o relacionamento, ela não relatava alguma coisa, mas como várias vezes vimos ele falar agressivo com ela, tínhamos medo do que veio acontecer”, afirma.
Keila era vendedora em uma loja de confecções há quase 6 anos. Segundo os colegas, era muito reservada. Não comentava sobre seu relacionamento, nem mesmo demonstrava tristeza, caso estivesse com problemas.
Mas em junho do ano passado começou a emagrecer e dava sinais que alguma coisa não estava bem. Foi daí que no final do ano, rompeu com o companheiro.
Keyla morava em apartamento, muito próximo dos familiares. No último sábado não foi trabalhar e informou à gerente da loja, que o ex teria entrado em casa e quebrado coisas. A família desconhece essa versão, já que Adjúnior não teria coragem de se aproximar do apartamento com tanta gente por perto.
No momento em que Keyla foi esfaqueada, a filha mais velha estava dentro da loja, aguardando o horário do expediente terminar para ir com a mãe pra casa. Elas estavam se reaproximando.
Quando os funcionários souberam que Keyla estava ferida, seguraram a menina, para preservá-la da situação. Pouco depois um policial comunicou que ela havia morrido. A jovem se desesperou, precisou ser amparada.
“Queremos justiça! Que o Acre não seja omisso em levar em conta a lei brasileira arcaica. Ele matou minha tia na frente da minha prima. Poderia ser qualquer um, então peço justiça, que ele não venha responder em liberdade”, clamou o jovem.
Adjúnior foi ouvido em audiência de custódia e a juíza da vara de proteção à mulher converteu a prisão em flagrante em preventiva. Em seguida ele foi encaminhado a uma unidade prisional.



