Arthur Gael, de pouco mais de 1 mês de vida, foi retirado da mãe, Gilmara Furuno, no hospital Santa Juliana, em Rio Branco, após denúncias de possíveis maus-tratos sofridos pela criança por parte da família, e foi encaminhado para o Educandário Santa Margarida. Além disso, também existe uma acusação de abuso sexual.
A criança nasceu no dia 10 de julho, na Maternidade Bárbara Heliodora, e pesava 3,120kg. Dois dias depois do nascimento, o bebê foi liberado, mas já estava com 2,814kg. A mãe se preocupou com a situação, pois o filho perdia peso em vez de ganhar, mesmo sendo bem alimentado.
“Falaram que era normal nos primeiros dias e mandaram para casa”, conta Gilmara Furuno.
Depois de 9 dias em casa, a mãe percebeu que a criança continuava a perder peso e foi até a Unidade Básica de Saúde (UBS), Ary Rodrigues, no dia 21 de julho.
“Eu disse para o médico que não achava normal o bebê perder peso e que eu precisava de uma orientação para compreender o que estava acontecendo”, comenta a mãe.
Segundo ela, na consulta Arthur Gael não foi pesado, pois a balança estava quebrada. O médico ainda assim disse para ela ficar tranquila porque era normal, e que a amamentação era o suficiente para a criança. Após isso, foram mandados para casa.
Os dias se passavam e a mulher percebia que ele continuava a perder peso. Os pais até mesmo desconfiaram se estava saindo leite dos seios da mulher e retiraram o líquido com uma bomba, colocaram em uma mamadeira, a criança bebia, mas não ganhava peso.
Por conta disso, procuraram novamente ajuda médica, mas dessa vez na UBS da Vila Ivonete. Lá a criança foi pesada e registrou cerca de 1,900kg. A pediatra responsável fez uma avaliação, detectou perda de peso significativa e desidratação.
Em seguida, a mãe e a criança foram encaminhadas para o Pronto-Socorro (PS) de Rio Branco. Na unidade, entraram com uma sonda no bebê, as enfermeiras deram fórmula e fizeram exames para tentar entender o que acontecia com ele. Gael ficaria internado até abrir vaga no hospital Santa Juliana ou na Maternidade Bárbara Heliodora.
Ao conseguir vaga no Santa Juliana, a criança foi transferida e lá ficou internada 14 dias. Quando a mãe achava que iria pegar alta, pois ele já tinha melhorado mais e ganhado peso, ela recebeu a notícia que o filho seria encaminhado para um abrigo e ela estava sendo acusada de maus-tratos.
“Eu fui surpreendida com a denúncia que foi feita contra mim e contra o meu esposo, alegando que nós estávamos maltratando o Arthur. Ele chegou ao hospital com a saúde comprometida e por uma impressão e uma avaliação errada da médica, ela encaminhou para o serviço social”, relata.
Gilmara Furuno conta que no dia 17 de agosto duas funcionárias do Conselho Tutelar foram até o hospital e falaram que precisavam conversar com ela.
“Eu perguntei do que se tratava, porque eu não estava compreendendo o que estava acontecendo ali, e disseram que era uma conversa que precisava ser no particular. Fui levada para uma sala e, enquanto eu estava com essas moças, meu bebê estava sendo levado”, reitera.
Ela detalha que foi comunicada que receberam uma denúncia por parte do hospital e que haviam ido buscar o Arthur Gael, com um mandado de busca do menor.
“Jogaram o papel da decisão da juíza em cima da mesa. Fui ler para entender o que estava acontecendo e tinham informações ali que eu não entendi o porquê eu e meu esposo estávamos sendo acusados daquilo”, afirma a mãe.
Furuno finaliza ao dizer que o maior desejo é ter o filho nos braços e que ele retorne para casa.
“Quero que ele retorne para o lar, para o ambiente que a gente se preparou, organizou. Retorne para o colo e do seio familiar que tanto almejou e esperou a chegada”, conclui a mulher.
Depois que a criança foi levada para o educandário, a família foi proibida de ter contato com o bebê. Procuraram uma assistência jurídica e já têm uma audiência marcada, inclusive o Ministério Público do Acre (MPAC) também já está informado da situação.
Logo depois da matéria da repórter Rose Lima ir ao ar, nesta segunda-feira, 28, no programa Gazeta Alerta, a equipe da TV Gazeta recebeu a informação que há denúncias de um possível abuso sexual sofrido pela criança, que teria sido detectado no segundo dia do Arthur Gael no hospital Santa Juliana.
O advogado da família, Andresson Bonfim, em entrevista à TV Gazeta, afirma que essa denúncia é criminosa. Além disso, disponibilizou o resultado do exame de corpo de delito, onde mostra que não há vestígios de prática sexual.
“O Arthur é puro e imaculado, jamais foi violado. Ele é um anjo que merece voltar para a família”, informa o advogado.
O MPAC divulgou uma nota de esclarecimento sobre o caso. Confira a nota completa na íntegra:
O Ministério Público do Estado do Acre, por intermédio da 3ª Promotoria de Justiça Especializada de Defesa da Criança e do Adolescente de Rio Branco, informa que está acompanhando o caso do bebê que se encontra no Educandário Santa Margarida, após denúncia de que estaria sofrendo maus-tratos.
A 3ª Promotoria de Justiça Especializada de Defesa da Criança e do Adolescente recebeu o Plano Individual de Atendimento (PIA) da criança, que foi enviado pelo Educandário. O bebê perdeu cerca de 1kg em 12 dias após sua alta da maternidade demonstrando desnutrição e desidratação, e diversos outros sintomas.
O MPAC irá avaliar com o Poder Judiciário o caso em audiência específica e a viabilidade de reinserção social da criança aos pais ou família extensa com apoio e acompanhamento da equipe técnica de profissionais.
Com informações da repórter Rose Lima para a TV Gazeta



