A crise no transporte coletivo de Rio Branco ganhou um novo capítulo nesta terça-feira (17), após declarações do vereador André Kamai (PT) durante sessão na Câmara Municipal. Em tom crítico, o parlamentar reagiu à possibilidade de saída da empresa Ricco do sistema e disparou: “Se é por falta de adeus, tchau”.
A fala ocorre após o proprietário da empresa, Everson Dias, afirmar recentemente que “a vontade mesmo é entregar o boné”, ao relatar prejuízos milionários na operação do transporte público da capital.
Kamai classificou a atuação da empresa como uma “chantagem” contra a prefeitura e a população, especialmente após a suspensão de 31 linhas anunciada no último fim de semana, medida que acabou revertida após pressão popular e do sindicato.
Críticas ao serviço e à gestão
Durante o discurso, o vereador questionou a qualidade do serviço prestado pela empresa e apontou falhas recorrentes na operação.
Segundo ele, a maior parte das linhas funciona com apenas um ônibus, o que compromete o atendimento, especialmente nos fins de semana. Além disso, citou problemas frequentes de manutenção, com veículos quebrando diariamente.
Kamai também criticou a situação trabalhista dos funcionários, afirmando que motoristas seguem sem receber salários e que nem mesmo o FGTS estaria sendo depositado.
Cobrança por transparência
Outro ponto levantado pelo parlamentar foi a falta de transparência nas contas da empresa. Ele anunciou a apresentação de um requerimento de informações para que a Ricco detalhe os motivos da suspensão das linhas e a alegada crise financeira.
“Por que a empresa não apresenta as contas de forma clara? Por que não vem a esta Casa para explicar a situação?”, questionou.
O vereador também informou que vai acionar o Ministério Público e o Tribunal de Contas para que os contratos relacionados ao transporte coletivo sejam auditados.
Contexto da crise
A tensão entre empresa, trabalhadores e poder público se intensificou nas últimas semanas. Motoristas chegaram a realizar uma paralisação de advertência e, mesmo após a retomada das linhas, parte da categoria segue com salários atrasados.
Enquanto isso, a empresa alega um déficit mensal de até R$ 600 mil e defende o aumento do subsídio pago pela prefeitura, além de mudanças no modelo de operação do sistema.
Diante do cenário, Kamai reforçou que é preciso buscar alternativas para o transporte público na capital.
“Não é possível que a gente não consiga apresentar um sistema melhor para a população”, concluiu.



