O Bolsa Família, principal programa de transferência de renda do país, tem garantido alimentação básica e alívio financeiro para 124 mil famílias no Acre. No entanto, especialistas alertam: sem políticas públicas que incentivem a inserção no mercado de trabalho, o programa pode se transformar apenas em uma ferramenta política, usada por candidatos para angariar votos em períodos eleitorais.
A proposta original do Bolsa Família era funcionar como um apoio temporário, enquanto as famílias acessavam cursos profissionalizantes e programas de geração de renda. Com o tempo, esse objetivo foi se perdendo, e hoje o programa se limita ao repasse mensal do benefício, sem vínculo com ações que promovam autonomia financeira dos beneficiários.
Em Rio Branco, cerca de 30% dos moradores vivem exclusivamente com o valor do Bolsa Família. Em alguns municípios do interior, esse índice chega a 80%. O dado preocupa gestores e especialistas que veem um ciclo de dependência se consolidando, sem perspectiva de ruptura.
“A gente tem que incentivar que as pessoas tenham acesso ao mercado de trabalho. Não estamos aqui para promover a permanência no Bolsa Família, mas para criar alternativas reais de emprego e renda”, disse Ivan Rulf, diretor de assistência da Prefeitura.
Além da falta de qualificação, o desemprego estrutural contribui para esse cenário. De acordo com o IBGE, mais de 302 mil pessoas estão fora do mercado de trabalho no estado. Outras 22 mil desistiram de procurar emprego, muitas delas sustentadas pelo benefício.
A realidade de Helena Souza, mãe solo com duas filhas pequenas, exemplifica esse contexto:
“Me ajuda na alimentação para as minhas filhas, pagar algumas contas”, disse ela sobre o Bolsa Família.
De janeiro de 2024 a janeiro de 2025, 1.237 famílias perderam o benefício no Acre, após o governo identificar outras fontes de renda não declaradas. Ainda assim, o número de dependentes segue elevado. Entre os beneficiários estão 427 pessoas em situação de rua e quase 6 mil indígenas.

Com a pobreza se agravando e políticas de qualificação praticamente inexistentes, cresce o temor de que o Bolsa Família continue sendo utilizado como moeda eleitoral. A cada ciclo político, promessas de aumento no valor do benefício se repetem, enquanto as oportunidades de emprego continuam escassas.
Com informações de Adailson Oliveira, para a TV Gazeta



