O servidor do Tribunal de Contas da União (TCU) e professor substituto do curso de Direito da Universidade Federal do Acre (Ufac), Michael de Oliveira Bandeira, é suspeito de cometer várias agressões físicas contra a ex-mulher. A mais recente ocorreu semana passada, no dia 25 de setembro, no Palácio do Comércio, onde fica localizado o TCU em Rio Branco.
De acordo com informações e apurações feitas pelo site Agazeta.net, a vítima é atendida pela Casa Rosa Mulher, onde são feitas denúncias de violência doméstica, desde 2014. De lá para cá, muitos boletins de ocorrência já foram registrados contra o suposto agressor, mas ele dizia que poderia perder o cargo e ela retirava a representação.
Segundo a vítima, os dois estão em processo de divórcio e para tentar resolver de forma amigável, ela teria ido até o apartamento onde Michael Bandeira vive, na noite do último dia 21 de setembro. Ao chegar ao local, ela tentou conversar, porém ele não quis. A partir disso, uma discussão teria se iniciado e a mulher teria sido retirada à força do apartamento.
Após o ocorrido, a mulher ligou para o 190 e solicitou o apoio da Polícia Militar do Acre (PM/AC). Ela contou que, ao ver a guarnição, foi ao encontro dos agentes e informou que tinha solicitado a presença deles por uma denúncia de violência doméstica. Ela disse que chegou a oferecer a senha da porta para eles entrarem e realizarem o flagrante, mas um dos militares falou que eles não tinham ido atender a ocorrência dela.
“Me disseram que tinham ido resolver uma outra ocorrência com uma pessoa surtada. Eu disse que a surtada deveria ser eu. Voltei a perguntar se eles iriam subir e me responderam que não”, relata.
A vítima chegou a mostrar algumas escoriações, mas teria sido desacreditada por um policial. Apesar disso, ela insistiu para que eles subissem ao apartamento, mas não subiram.
“Eu mostrei as marcas de violência, mas um policial desacreditou de mim e disse que não eram escoriações”, afirma.
Como ela viu que não seria ajudada, entrou em contato com a juíza Shirlei Hage, da Vara de Violência Doméstica, e a magistrada pediu para ela ir à Delegacia Especializada em Atendimento à Mulher (Deam). Na Deam, ela fez um pedido de medida protetiva.
Além disso, nesse processo de separação, a mulher decidiu morar na casa da mãe com o filho deles, de apenas 5 anos de idade. A criança sentia falta de brinquedos e amigos, e queria voltar para casa. Com isso, a denunciante procurou novamente o ex-companheiro, na manhã do dia 25, para um acordo e ele sair de casa. Discutiram um pouco, mas achou que tinha ficado resolvido.
Quando a ex-companheira foi até o apartamento, viu a empregada arrumar as roupas dele e achou que o homem fosse mesmo sair de casa. Logo depois, pela tarde do mesmo dia, foi até o TCU, no Palácio do Comércio, porque imaginou que lá não seria agredida, porém não foi isso que ocorreu.
“Pensei que lá nada iria acontecer comigo, por se tratar de um local com grande público. Infelizmente, eu estava errada”, comenta.
Quando a viu, ele a teria agarrado pelo braço e perguntado: “Quem deixou essa louca entrar?”. Logo em seguida, as supostas agressões voltaram a ocorrer. Segundo relato, ele jogou ela chão, e fez com que a ex-companheira fraturasse o nariz e também acabou tendo um corte no supercílio esquerdo.
Estudantes, a administradora do prédio e um professor teriam prestado os primeiros-socorros à vítima e acionaram o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e a Polícia Militar. A mulher foi encaminhada à Unidade de Pronto Atendimento (Upa) da Sobral e, em seguida, ao Pronto-Socorro para realizar os primeiros procedimentos.
Versão do suspeito
A filha do casal, Michele Bandeira, entrou em contato com o site Agazeta.net e nos disponibilizou a versão do suspeito, Michael Bandeira. De acordo com ela, a suposta vítima sofre por problemas psicológicos, esteve internada por uma semana no Pronto-Socorro de Rio Branco, no leito de saúde mental, e inventa histórias.
“Minha mãe está desde maio afastada do trabalho. Ela inventa histórias, esquece das coisas, bateu o carro duas vezes, fala que vai sair com amigas que já morreram. Ela está descompensada”, afirma a jovem.
Declara, ainda, que os hematomas apresentados pela denunciante são de uma doença autoimune e não por agressão.
“Aliás, esses hematomas que ela mostra são porque ela tem uma doença autoimune. Graças a Deus não são por agressão”, declara.
Canais de ajuda
Metade dos brasileiros conhece ao menos uma mulher vítima de violência doméstica, por isso, se você que está lendo essa matéria estiver passando por agressão física, violência sexual, psicologica ou patrimonial ou conhece alguma mulher que esteja, entre em contato com as centrais de ajuda:
Centro de Atendimento à Vítima (CAV): Rua Marechal Deodoro, 472, Prédio-Sede do Ministério Público – cav@mpac.mp.br – (68) 99993-4701;
Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam): Via Chico Mendes, 803 – Triângulo (ao lado do Deracre) – (68) 3221-4799;
Centros de Referência de Assistência Social (Cras);
Sobral: Rua São Salvador, 125 – (68) 3225-0787;
Calafate: Estrada Calafate, 3937 – (68) 3225-1062;
Bairro da Paz: Rua Valdomiro Lopes, 1728 – (68) 3228-7783;
Vitória: Rua Raimundo Nonato, 359 – (68) 3224-5874;
Tancredo Neves: Rua Antônio Jucá, 810 – (68) 3228-1334;
Santa Inês: Rua da Sanacre, 1327 – (68) 3221-8311;
Triângulo Velho: Rua Flávio Baptista, 200 – (68) 3221-0826;
Casa Rosa Mulher: Rua Nova Andirá, 339 – Cidade Nova – (68) 3224-5117;
Serviço de Atendimento à Violência Sexual: Maternidade Bárbara Heliodora – Travessa da Maternidade – Bosque;
Atendimento às Mulheres Vítimas de Violência Física: Upas Sobral, Segundo Distrito, Cidade do Povo e Pronto-Socorro;
Ministério Público – Centro de Atendimento à Vítima (CAV): sede – R. Mal. Deodoro, 472 – Centro – (68) 3212-2000;
Defensoria Pública – Núcleo de Atendimento às Mulheres em Situação de Violência: Av. Antônio da Rocha Viana, 3057 – (68) 3215-4185;
Denúncias contra violência mulher – Disque 180.



