Servidoras que atuam no Centro de Materiais da Maternidade Bárbara Heliodora denunciaram condições consideradas inadequadas no ambiente de trabalho, onde são realizados os processos de lavagem, preparo e esterilização de materiais cirúrgicos. Segundo os relatos, as profissionais enfrentam calor intenso, falta de climatização adequada e ausência de estrutura básica no espaço provisório onde o serviço vem sendo executado.
De acordo com as trabalhadoras, os materiais utilizados chegam contaminados da maternidade e precisam ser lavados manualmente em um ambiente fechado, sem ar-condicionado, com o uso improvisado de ventiladores. Para suportar o calor, algumas servidoras chegam a molhar os próprios uniformes durante o expediente. A situação ocorre porque a Central de Materiais original está fechada para reforma há cerca de um ano e quatro meses, apesar de já estar concluída, sem ter sido entregue.
Sindicato aponta riscos e paralisação temporária do serviço
O Sindicato dos Trabalhadores em Saúde afirma que o anexo provisório, localizado no INTO, oferece riscos tanto aos profissionais quanto aos pacientes, por descumprir normas técnicas relacionadas à climatização e ao controle de contaminação.
“A central de material é como se fosse uma UTI, ela precisa estar bem preparada, com ar-condicionado funcionando para que não haja contaminação, tanto no preparo quanto no material estéril. Isso não acontece há mais de um ano. A gente vem lutando, enviando documentos e reunindo com a Sesacre, e infelizmente chegou a um ponto em que as meninas não aguentaram mais.”
Outro problema relatado é a inexistência de banheiro no local, o que obriga técnicas e enfermeiras a se deslocarem por longas distâncias durante o trabalho, comprometendo a agilidade do serviço e o atendimento.
Diante da situação, o sindicato informou que os profissionais decidiram paralisar temporariamente o serviço no anexo e passar a realizar a esterilização de materiais no pronto-socorro, até que as falhas estruturais sejam resolvidas.
Sesacre afirma que situação é provisória
Segundo o presidente do sindicato, houve articulação junto à Secretaria de Estado de Saúde (Sesacre), que se comprometeu a enviar uma equipe técnica para solucionar o problema de climatização.
“Foi feita a articulação com a Sesacre e já existe a promessa de trazer um novo ar-condicionado, com equipe para montar. Até lá, o serviço será feito no pronto-socorro para garantir segurança.”
O secretário de Saúde, Pedro Pascoal, afirmou que o funcionamento do anexo é provisório e que o espaço original do Centro de Materiais já passou por revitalização.
“Nós tivemos oscilação no funcionamento do sistema de ar-condicionado do INTO, que já vinha apresentando problemas há algum tempo. Para resolver isso, instalamos um ar-condicionado split de maior potência, para evitar novas instabilidades na climatização do setor, não só do CME, mas de todo o hospital.”
Com informações de João Cardoso, para a TV Gazeta



