Durante muito tempo, o sítio histórico do Quixadá foi considerado uma das maiores atrações turísticas de Rio Branco. No entanto, hoje, o cenário é de total abandono e deterioração, com poucas lembranças do que um dia foi um local emblemático.
As placas de boas-vindas ainda resistem, cobertas pela vegetação, servem como vestígios do passado glorioso do centro histórico do Quixadá. A casa que abrigava a recepção encontra-se em condições precárias, assim como a pousada remanescente, que agora é ocupada por uma família. O que resta das construções são apenas os barrotes, com pedaços da antiga brinquedoteca e tábuas da pousada ao lado. O museu, outrora parte central do sítio histórico, desapareceu.
Essa região marcada pela história abrigava um restaurante que servia comidas típicas e um redário para apreciar a brisa do rio, porém, hoje restam apenas vestígios do que um dia foi um local movimentado e cheio de vida. A deterioração das construções, a ausência de manutenção e o abandono progressivo transformaram o sítio histórico em uma sombra do passado glorioso.
A pequena igreja construída em 1937 é a única estrutura que será reformada no Quixadá, sendo tomada como patrimônio histórico da região.
Segundo Mauro Carneiro de Lima, sobrinho dos padres que inauguraram a igreja, a região do Quixadá desempenhou um papel significativo na história do estado, sendo palco de esforços para o desenvolvimento local. No entanto, o descaso e o abandono por parte das autoridades governamentais têm sido evidentes, e deixaram a comunidade desamparada e desiludida.
“Todas as coisas que passam para o governo, o fim é triste. Eu não sei qual é essa sina que os governantes não preservam as coisas de jeito nenhum. Só o cargo e nada mais”, explica o morador.
A situação de abandono e descaso com o sítio histórico do Quixadá gera indignação entre os moradores, como Ceci Fernandes, que relata a falta de investimentos e descumprimento de promessas por parte do governo. A estrada precária, a ausência de ajuda durante períodos críticos e a sensação de esquecimento ecoam entre os residentes, que veem a região histórica sendo deixada de lado.
“Começa pela estrada, que está cheia de buracos, e começa a apresentar atoleiros. Nem a ajuda prometida, que foi a chegada de cestas básicas durante a cheia do rio, foi cumprida. Está esquecido e muito, porque fizeram aqui o cadastramento para a alagação e não vieram deixar nada. Todo mundo recebeu, menos aqui. E aqui tem muitos produtores ali para baixo, tem muitos produtores. Estão prestando de ajuda, mas não tem”, comenta Fernandes.
O presidente da Fundação de Cultura Elias Mansour, Minoru Kimpara, esclareceu que o sítio histórico é uma propriedade particular, com exceção da igreja tomada como patrimônio. Enquanto a cidade cinematográfica é considerada um bem privado, a preservação e cuidado com a igreja são prioridades para manter viva a história local.
“Aquele espaço ali, a cidade cinematográfica em si, é um bem privado, particular, que foi feito por uma minissérie que aconteceu alguns anos atrás. O único local, a única construção, a única obra que é tomada e que a gente precisa cuidar é a igreja e nós estamos fazendo isso”, conclui Kimpara.
Matéria em vídeo produzida pelo repórter Adailson Oliveira para a TV gazeta



