O Tribunal de Contas do Acre (TCE-AC) publicou, na manhã desta quinta-feira (19), uma nota pública que manifesta repúdio às declarações dadas pelo treinador do clube de futebol Vasco da Gama Acre, Eric rodrigues. As falas ocorreram após a denúncia de um suposto estupro coletivo envolvendo atletas da equipe, caso que atualmente está sendo investigado pela Justiça.
A nota reforça que a apuração dos fatos deve seguir com rigor técnico e respeito ao devido processo legal e critica qualquer tentativa de relativizar a violência ou transferir responsabilidade para a vítima, além de condenar expressões que reforçam estereótipos historicamente usados para descredibilizar mulheres.
“Em um estado que enfrenta índices elevados de feminicídio e estupro, expressões como “homens longe de casa”, a ideia de “invasão do alojamento” ou a rotulação de mulheres como “Maria Chuteira” não são neutras. Tais manifestações são incompatíveis com os valores constitucionais da dignidade da pessoa humana e da igualdade entre homens e mulheres”
O documento ressalta que discursos que naturalizam ou justificam agressões não pode ser naturalizada e nem tratada como opinião e finalizada declarando que “a dignidade das mulheres é inegociável”.
O caso que motivou a manifestação
Quatro jogadores do Vasco-AC foram denunciados por envolvimento em um suposto estupro coletivo ocorrido no alojamento do clube, em Rio Branco. Um dos atletas foi preso em flagrante e teve a prisão preventiva decretada pela Justiça. O caso está sob investigação da Polícia Civil e é acompanhado pela Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM).
a denúncia partiu de jovens que relataram ter sido levadas ao alojamento após uma noite de Carnaval. Segundo o registro, durante o encontro teria ocorrido relação sexual sem consentimento em pelo menos uma das situações. A investigação apura as circunstâncias dos fatos e a possível participação de cada um dos envolvidos.
O caso ganhou maior repercussão quando o técnico da equipe, Eric Rodrigues, concedeu declarações públicas nais quais ele teria tentado defender a postura dos atletas ao comentar que os jogadores são proibidos de levar mulheres ao alojamento. O técnico também mencionou que os jogadores estariam “longe de casa” e levantou a hipótese de que a jovem poderia ter entrado no alojamento por iniciativa própria.
Até o momento, não houve divulgação de detalhes conclusivos sobre o que ocorreu dentro do alojamento, e as autoridades reforçam que a investigação segue em andamento.
Confira a nota na íntegra:
Nota Pública
Diante da notícia de um suposto estupro coletivo envolvendo atletas vinculados a um clube esportivo do Acre, atualmente sob investigação policial, e diante das declarações públicas do treinador da equipe sobre o episódio, manifesto repúdio.
A apuração dos fatos deve seguir com rigor técnico e respeito ao devido processo legal. Contudo, nenhuma circunstância autoriza declarações que relativizem a violência, desloquem a responsabilidade do agressor para a vítima ou recorram a estereótipos que a desumanizam.
Em um estado que enfrenta índices elevados de feminicídio e estupro, expressões como “homens longe de casa”, a ideia de “invasão do alojamento” ou a rotulação de mulheres como “Maria Chuteira” não são neutras. Tais manifestações são incompatíveis com os valores constitucionais da dignidade da pessoa humana e da igualdade entre homens e mulheres.
A violência contra mulheres — física ou simbólica — não pode ser naturalizada nem tratada como opinião. A dignidade das mulheres é inegociável.
Rio Branco-Acre, 19 de fevereiro de 2026.
Dulce Benício
Presidente do TCE-AC
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