As aulas da rede estadual começam nesta segunda-feira (23). Para milhares de famílias, isso significa rotina reorganizada, mochila pronta e expectativa de um novo ano. Mas, para muita gente, também significa correria para comprar o que ainda falta na lista.
E é justamente nessa pressa que mora o risco.
A pesquisa de preços realizada pela Secretaria de Estado de Planejamento (Seplan) em Rio Branco, entre os dias 13 e 15 de janeiro, mostra um dado que chama atenção: a variação entre o menor e o maior preço de um mesmo produto pode ultrapassar 100%. Em 42 itens analisados, 28 tiveram variação acima desse patamar.
Isso não é detalhe. É orçamento.
A borracha branca, por exemplo, variou 990,9%, custando de R$ 0,55 a R$ 6,00. O apontador simples teve variação de 680%. A tesoura escolar chegou a 351,7%. O caderno de 10 matérias variou mais de 240%, sendo encontrado por R$ 18,65 em um estabelecimento e por R$ 64,00 em outro.
Quando a compra é feita na última hora, a família muitas vezes escolhe pela urgência, não pelo preço. E isso pode significar pagar o valor mais alto da cidade.
Mas ainda dá tempo de reduzir o impacto no bolso
Primeira dica: compare antes de fechar a compra. A pesquisa foi feita justamente para servir de referência ao consumidor. Mesmo que você não consiga visitar muitas lojas, uma rápida consulta por telefone ou redes sociais já pode revelar diferenças significativas.
Segunda dica: priorize funcionalidade, não personagem. Produtos com capas de personagens famosos costumam custar mais caro, embora a qualidade do material interno seja semelhante. Em muitos casos, a diferença está na estampa, não na durabilidade.
Terceira dica: observe os itens que ficaram mais baratos em relação ao ano passado. Alguns produtos apresentaram redução no preço médio, como o refil para fichário (80 folhas) e o lápis de cor (12 cores), que teve queda superior a 24%. Nem tudo subiu, e essa informação ajuda a reorganizar a lista.
Quarta dica: compre o essencial agora, complemente depois. Nem todo item precisa ser adquirido no primeiro dia de aula. Se o orçamento está apertado, priorize o que será usado imediatamente e deixe materiais menos urgentes para o mês seguinte.
Quinta dica: avalie quantidade e necessidade real. Muitas vezes, a lista sugere volumes que podem ser ajustados conforme o perfil do aluno. Evitar excesso também é economizar.
Sexta dica: considere reaproveitar. Mochilas, estojos, réguas e até cadernos parcialmente usados podem continuar servindo. Cada item reutilizado reduz a pressão sobre o orçamento de janeiro, que já é um dos meses mais pesados do ano.
A própria análise da Seplan reforça que, diante de variações tão expressivas, o consumidor deve avaliar qualidade e funcionalidade antes de decidir. Um produto mais barato pode atender perfeitamente à necessidade, especialmente quando a diferença de preço é tão grande.
A volta às aulas movimenta o comércio, gera renda e aquece a economia local. Mas, do lado das famílias, ela exige planejamento. E quando o planejamento falha, informação vira a principal ferramenta de proteção.
Quem deixou para a última hora ainda pode economizar. Não eliminando o gasto, mas reduzindo o desperdício. Em meses de IPVA, matrícula, fardamento e contas acumuladas, cada real poupado faz diferença.
No fim das contas, material escolar não é só uma lista. É uma decisão econômica dentro da casa de cada família. E decidir bem, mesmo na correria, é o que transforma gasto em escolha consciente.




