Alexandre: “Focado até dezembro de 2016”
Tião Viana quer passar a faixa de governador para Marcus Alexandre. Já confessou essa vontade em uma roda restrita do Palácio Rio Branco, simulando uma modéstia falsa. “Se eu pudesse opinar, eu gostaria que o Marcus me sucedesse”, sugeriu.
A ansiedade do governador já não permite disfarçar o desejo. E pode trazer problemas constantes de gerenciamento de imagem ao longo dos próximos quatro anos: o anúncio antecipado do nome de Marcus Alexandre para uma provável disputa ao governo é ruim para o prefeito.
Por uma questão elementar: tudo o que Marcus Alexandre fizer de agora em diante soará como campanha. Quatro anos de campanha. Isso pode aumentar a atenção dos órgãos reguladores, além de viciar mais ainda a relação com os movimentos sociais e populares.
Na última sexta-feira, 21, o governador Tião Viana não participou da entrega de 136 casas populares no Residencial Abunã, por meio do programa federal Minha Casa Minha Vida. O governador não foi. O vice também não. Mas, Marcus Alexandre estava lá, para fotos e discursos.
Marcus tem dimensão do perigo que representa ter o nome cotado de forma tão antecipada. Não é por acaso que ele se recusa a falar sobre o assunto. “Estou focado no mandato até dezembro de 2016”, esquiva-se, usando os cacoetes de gestão.
A indicação do principal cabo eleitoral do Acre fazendo a defesa pró-Marcus Alexandre deixa caminho livre para outra personagem fortalecida pelas urnas no último outubro. Ney Amorim, com mais de 10 mil votos ao parlamento estadual, passa a ser um nome quase óbvio para a disputa da Prefeitura de Rio Branco.
Além disso, Amorim faz parte de uma corrente interna do PT chamada Democracia Radical (ou simplesmente, DR) que tem como principal nome o historiador e assessor especial de Tião Viana, Francisco Nepomuceno, o Carioca. É um apoio nada desprezível para quem observa os bastidores da política regional.
Por parte da oposição, no momento, apenas Gladson Cameli teria liderança com condições de se contrapor à força governista. Cameli ancorou a ida de Bittar ao 2º turno (apesar dos embates internos com a equipe tucana); teve mais votos que as principais lideranças da Frente que já concorreram ao mesmo cargo e chega ao Senado como o mais jovem senador já eleito naquele parlamento.
Somado aos escândalos da política nacional, a eleição de 2014 consolidou um fenômeno em todo o país: construiu palanques de pedra e aço: eles não serão desfeitos.



