Ida de Carioca valoriza articulações para 2016
A saída do economista José Fernandes do Rêgo da Secretaria de Articulação Institucional tem fundamento político. No primeiro mandato de Tião Viana como governador, a SAI reunia todas as informações estratégicas da gestão.
Em certa medida, não seria exagero dizer que “tudo no governo se encontrava na SAI”. As tabelas e gráficos tinham a pretensão de contar os rumos do Governo, em sintonia com Márcio Veríssimo da Secretaria de Planejamento.
Mas, a política fala mais alta na régua de Tião Viana. E a SAI foi o instrumento estratégico tendo como referência as eleições de 2016. Caso se concretize a ida de Francisco Nepomuceno, o Carioca, para comandar a SAI, fica evidente o perfil político que a secretaria volta a ter.
Por meio da SAI, Carioca vai ter institucionalizada as articulações políticas necessárias para pavimentar os interesses da Frente Popular nos municípios. As ações da SAI estão costuradas por todo governo. E terão, agora, um “gerente” ouvido por lideranças políticas regionais autorizado e referendado pelo gabinete.
Carioca sempre foi figura de destaque nos governos da Frente Popular. Mas, nunca como nos anos de Jorge Viana. Sem ofuscar a liderança dos irmãos que gostam de governar, Carioca volta a ter os instrumentos necessários para garantir a hegemonia política do grupo que representa. E, com uma diferença: o uso da máquina. Pesada, lerda, ineficiente, mas sempre forte em um Estado de economia fragilizada.
No entanto, há uma ressalva pouco observada. Carioca possui uma concepção muito distinta do chefe. Para ele, partidos políticos são “maiores” que os governos. Estrategicamente, Carioca mantém silêncio sobre o assunto, mesmo em círculos restritos.
Se os palanques erguidos em 2014 foram de pedra e aço, a SAI é o lugar de manutenção desse espaço de disputa. Dito de outra forma: 2016 está logo ali.



