As ocorrências de violência contra mulheres aumentaram no Acre em 2025. Entre janeiro e junho deste ano, o Ministério Público registrou 3.544 casos, contra 3.285 no mesmo período de 2024. O crescimento preocupa, mas também é visto por especialistas como reflexo da redução das subnotificações, quando vítimas não formalizam denúncias.
De acordo com a procuradora de Justiça Patrícia Rêgo, muitas mulheres ainda têm dificuldade em reconhecer ou denunciar a violência.
“Na maioria das vezes, a mulher só busca ajuda quando está desesperada. Muitas vezes, ela nem identifica essa violência. Quando os números aumentam, é sinal de que as mulheres estão denunciando mais e que a subnotificação começa a diminuir”, afirmou.
A delegada da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM) em Rio Branco, Juliana De Angelis, destacou que o aumento das ocorrências é acompanhado por um maior número de inquéritos instaurados e concluídos.
“Mais mulheres estão registrando a violência sofrida. Paralelo a isso, vemos também o crescimento no número de inquéritos instaurados e remetidos ao Judiciário, para que o agressor seja punido pelos rigores da lei”, disse.
Números por município
Rio Branco concentra mais da metade das ocorrências de violência doméstica no estado, com 1.844 registros no primeiro semestre de 2025. Em seguida aparecem, Cruzeiro do Sul com 333 casos, Sena Madureira com 212, Tarauacá com 181 e Brasileia com 111 casos.
Apesar dos avanços nas denúncias, os índices de violência contra a mulher no Acre permanecem acima da média nacional, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública. Para reduzir os casos, autoridades reforçam a importância da participação da sociedade e da rede de apoio.
“O enfrentamento à violência contra a mulher é contínuo e não é apenas da Polícia Civil, mas de toda a sociedade. É fundamental que qualquer pessoa que saiba de uma vítima denuncie”, reforçou a delegada Juliana De Angelis.
Patrícia Rêgo destacou ainda que os dados oficiais se baseiam em boletins de ocorrência da Polícia Civil e não incluem chamadas ao 190, da Polícia Militar, o que mantém uma margem considerável de subnotificação.
“A medida protetiva salva vidas. Dados mostram que a maioria das vítimas de feminicídio não tinha esse recurso. Quem denuncia consegue, em 90% dos casos, ter sua vida resguardada”, ressaltou a delegada.
Canais de Ajuda
A denúncia e o rompimento do ciclo de violência são passos desafiadores, mas necessários, que demandam suporte de familiares, amigos e instituições especializadas. O acolhimento da vítima é essencial para romper o ciclo de violência e desvincular-se do agressor.
As vítimas podem procurar a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) pelo telefone (68) 3221-4799 ou a delegacia mais próxima.
Também podem entrar em contato com a Central de Atendimento à Mulher, pelo Disque 180, ou com a Polícia Militar do Acre (PM-AC), pelo 190.
Outras opções incluem o Centro de Atendimento à Vítima (CAV), no telefone (68) 99993-4701, a Secretaria de Estado da Mulher (Semulher), pelo número (68) 99605-0657, e a Casa Rosa Mulher, no (68) 3221-0826.
Com informações da repórter Natália Lindoso para TV Gazeta e editada pelo site Agazeta.net



