O terreno onde a funcionária pública, Marcelene, mora vem desaparecendo pouco a pouco. No ínicio era apenas um rebaixamento do solo, mas em cinco anos, a erosão já tomou conta de mais da metade do lote e hoje ameaça diretamente a estrutura da casa.
Para tentar conter o avanço do desbarrancamento, ela investiu em três muros de contenção, carradas de barro e reforços estruturais. O esforço, porém, consumiu recursos que a família não tinha.
“A gente que é funcionário público não tem posse para investir tanto assim, o tanto que nós investimos. No momento eu estou até procurando o superendividamento, porque eu cheguei mesmo a uma situação que eu não posso mais colocar nada, nenhum tijolo aqui dentro”, conta.
A erosão atual ultrapassa dois metros de profundidade, mesmo com o muro de contenção que chega a oito metros de altura. O perigo de que tudo desabe é eminente, principalmente nos dias de forte chuva.
Na casa, há rachaduras visíveis em diferentes pontos. A parte mais crítica é o quarto dos filhos, construído com estrutura reforçada e que, segundo a moradora, é o que impede que o fundo da casa ceda de vez.
“São quatro quartos porque eu tenho quatro filhos. Eu acredito que foi por isso que ele ainda não caiu, porque foi muito bem construído”, afirmou a funcionário pública.
A situação de Marcelene não é um problema isolado. A Defesa Civil Municipal identifica hoje 75 áreas de risco em Rio Branco, onde erosões, desmoronamentos e acidentes geológicos se repetem com frequência crescente.
O Plano Municipal de Redução de Riscos atualmente está na terceira etapa. O documento prevê mapeamento detalhado das áreas vulneráveis, definição de prioridades, estimativas de custo e, quando necessário, retirada de famílias.
A previsão é que os trabalhos de campo sejam concluídos no próximo sábado. Depois disso, o município inicia a consolidação do plano, etapa considerada essencial para solicitar apoio financeiro do governo federal ainda neste segundo semestre.
Segundo o coordenador Cláudio Falcão, Rio Branco é um dos municípios que tem maior índice de situação de acidentes geológicos, mas que o custo das intervenções necessárias são ultrapassam a capacidade financeira da prefeitura ou do governo estadual.
“Todas essas obras gastam milhões de reais, então a prefeitura de Rio Branco e o governo do estado sozinhos não conseguem avançar. A gente precisa ir também ao governo federal pedir essa ajuda para implementar o plano municipal aqui em Rio Branco”, explicou.
A expectativa é que, com o documento finalizado, o município possa apresentar propostas para executar obras nas áreas de risco e reduzir a exposição de moradores a acidentes geológicos, que hoje representam uma das principais ameaças ambientais na capital.



