A arquiteta Tatie De Marchi e a estudante de arquitetura Raquel Moura estiveram entre os profissionais brasileiros que participaram da Milano Design Week 2026, em Milão, na Itália, considerada a principal semana de design do mundo e uma das maiores vitrines internacionais para arquitetura, interiores e inovação no setor.
Realizado entre os dias 20 e 26 de abril, o evento reuniu mais de 1.900 marcas de 32 países e transformou a cidade italiana em um grande circuito criativo, com exposições, instalações e experiências espalhadas entre o Salone del Mobile e o Fuorisalone, espaços que antecipam movimentos e comportamentos que devem influenciar o mercado nos próximos anos.
Para Tatie De Marchi, participar de um evento dessa dimensão é vivenciar o centro das discussões que movimentam o design mundial.
“Chegar à Semana de Design de Milão significa experienciar o epicentro do design. Cada dia se transforma em um roteiro dentro de um circuito criativo que dita tendências globais”, afirma a arquiteta.
Na profissão desde 2015, Tatie conta que a arquitetura surgiu cedo em sua vida. Filha de arquiteta, cresceu cercada por referências que despertaram o interesse pela forma como os espaços interferem na experiência das pessoas.

Ao longo dos seis dias de programação, a percepção foi de que o evento vai além dos pavilhões tradicionais. Segundo ela, um dos pontos mais marcantes foi entender que o design não estava restrito à feira.
“O grande palco era a cidade. As ruas se tornaram cenários a céu aberto, edifícios históricos foram ocupados por designers e marcas que entenderam que não basta expor, é preciso construir uma experiência”, relata.
Tendências que devem influenciar o mercado
A edição de 2026 reforçou uma estética mais limpa, com menos excessos e maior atenção à experiência dentro dos ambientes.
Entre os principais movimentos observados por Tatie estão o uso de formas orgânicas no mobiliário, superfícies naturais em evidência e o fortalecimento de materiais como vidro, pedra e aço inox em composições residenciais e comerciais.

Ela destaca ainda que a tecnologia apareceu de forma integrada ao cotidiano, especialmente em áreas como cozinha e banho, setores que ganharam protagonismo nesta edição.
“A casa passou a incorporar ainda mais elementos voltados ao bem-estar. Chuveiros, saunas, banheiras e equipamentos voltados para saúde e relaxamento surgem com uma nova proposta estética e tecnológica”, explica.
Na paleta de cores, tons mais profundos e sofisticados ganharam força, com destaque para o burgundy, além de madeiras em tonalidades mais escuras e acabamentos de alto brilho.
Arquitetura, identidade e permanência
Mais do que identificar tendências, a experiência em Milão também provocou reflexões sobre permanência e originalidade no processo criativo.

Para Tatie, um dos aprendizados mais fortes foi perceber que, em meio às mudanças constantes do mercado, a consistência de um projeto continua sendo um valor importante.
“Mais do que tendências, percebi o valor do que é atemporal. Originalidade e consistência seguem sempre em alta”, avalia.
Ela também destaca que a valorização de materiais sustentáveis, técnicas artesanais e identidades locais apareceu de forma recorrente em diferentes exposições, um sinal de que o design global tem buscado conexões mais genuínas com contexto e cultura.
A participação na Milano Design Week marca a primeira vez de Tatie no evento. A viagem foi resultado de um reconhecimento profissional recebido em 2025, quando foi premiada como arquiteta destaque por um grupo de empresas do setor.
De volta ao Brasil, ela resume a experiência como um processo de ampliação de repertório.
“Volto com um olhar mais sensível para tudo que constrói a percepção de um ambiente. Isso passa por luz, textura, materiais e formas. É algo que, inevitavelmente, atravessa os próximos projetos”, conclui.



