O presidente da Câmara Municipal de Rio Branco, Joabe Lira, afirmou nesta semana que a empresa Ricco Transportes não possui mais condições de seguir operando o transporte coletivo de Rio Branco.
A declaração foi dada durante entrevista ao programa Gazeta Entrevista, ao comentar os problemas recorrentes enfrentados pelos usuários do sistema na capital acreana.
“Eu não vejo mais que tem como a Ricco continuar operando o sistema. Ela já demonstrou que não tem capacidade técnica e administrativa para operar o sistema público de transporte”, declarou.
A fala ocorre em meio a uma sequência de crises envolvendo a empresa, responsável pelo transporte coletivo da capital em caráter emergencial enquanto a nova licitação do sistema segue em andamento.
Crise no transporte se agravou nos últimos meses
Nos últimos meses, passageiros enfrentaram paralisações de linhas, atrasos frequentes, redução de frota e denúncias trabalhistas envolvendo a operação da empresa.
Em março deste ano, a Ricco anunciou a suspensão de 31 linhas de ônibus em Rio Branco alegando desequilíbrio econômico-financeiro. A decisão atingiu bairros periféricos, polos rurais e regiões de grande circulação da cidade.
O caso gerou reação da RBTrans, do sindicato dos rodoviários e da própria Câmara Municipal.
Na época, vereadores cobraram explicações da prefeitura e pediram informações sobre o contrato emergencial mantido com a empresa.
Além da redução das linhas, o sistema também enfrentou paralisações por atrasos salariais e problemas trabalhistas envolvendo motoristas e funcionários da empresa.
Em março, a Justiça do Trabalho determinou que a Ricco retirasse de circulação ônibus que operavam sem autorização judicial, após ação movida pelo Sindicato dos Trabalhadores em Transporte de Passageiros e Cargas do Estado do Acre (Sinttpac). A ação citava irregularidades em salários, FGTS e repasses ao INSS.
“Todas as oportunidades já foram dadas”
Durante a entrevista, Joabe Lira afirmou que a situação do transporte coletivo já foi debatida diversas vezes pelos vereadores e que, na avaliação dele, a substituição da empresa passou a ser a única saída possível.
“As reclamações são muitas. Muitas tentativas já foram feitas. A empresa esteve na Câmara, nós recebemos o sindicato dos trabalhadores, os motoristas. Então eu acho que já foi dada toda oportunidade para que ela pudesse melhorar e desempenhar um bom trabalho”, disse.
Segundo Joabe, praticamente todos os vereadores já apresentaram cobranças e sugestões relacionadas ao transporte coletivo.
“A questão do transporte público foi amplamente debatida na Câmara. Acho que 90% dos vereadores já reivindicaram, sugeriram soluções”, afirmou.
A crise no sistema também aumentou a pressão sobre a gestão do prefeito Alysson Bestene, que conduz o processo de reorganização do transporte coletivo da capital.
O Ministério Público do Acre chegou a cobrar esclarecimentos da prefeitura após paralisações totais do sistema registradas neste ano. Entre os pedidos estavam informações sobre medidas emergenciais adotadas para garantir o funcionamento do serviço e detalhes da situação contratual da empresa.
Para Joabe, a prefeitura deve caminhar para uma mudança na operação.
“Eu acredito que o prefeito também já está nesse entendimento, para que se possa fazer essa alteração e resolver o problema”, afirmou.
Enquanto isso, usuários seguem convivendo com longas esperas nas paradas, mudanças repentinas de itinerários e incertezas sobre o funcionamento diário do sistema de transporte público da capital.



