Professores da rede municipal de ensino de Rio Branco realizam uma manifestação em frente ao Tribunal de Justiça do Acre (TJAC), após decisão do desembargador Nonato Maia que determinou a suspensão da greve e o retorno imediato de 100% dos servidores, sob pena de multa diária no valor de R$ 50 mil.
A greve dos servidores da Educação municipal de Rio Branco ocorre há quase uma semana, após a categoria rejeitar a proposta de reajuste de 5% apresentada pela prefeitura. Segundo o Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado do Acre (Sinteac), mais de 50 escolas e creches da capital estão com as atividades paralisadas.
A manifestação reúne centenas de servidores municipais da Educação de Rio Branco. Uma delas é a professora aposentada Rosângela Castro, que afirma não ter condições de comprar medicamentos e precisar “mendigar na Justiça” para conseguir os medicamentos.
“Nós, servidores, com o salário que a gente ganha, mal dá para sobreviver. Fico indignada e estou aqui lutando pelos nossos direitos e reivindicando que o desembargador e o prefeito respeitem os idosos e os profissionais da educação. Nós precisamos de justiça. Queremos a nossa valorização”, reivindica.

A aposentada também afirma buscar melhores condições de vida para conseguir manter um plano de saúde. “Quando chegamos na aposentadoria, não temos condições nem de ter um plano de saúde. Eu mesma deixei de pagar, porque ou eu pagava ou eu comia”, afirma.
Rosângela Castro também criticou a decisão da Justiça do Acre, pois segundo ela, a prefeitura de Rio Branco “não respeita as leis que estão na constituição”.
“Queremos que condenem o prefeito, que não respeita as leis que estão na Constituição. Nós temos direito ao reajuste, e o que a Justiça está fazendo? Não está fazendo nada!”, diz.

A professora Essilda Oliveira, que trabalha na Escola Infantil Anita dos Santos Jangles, reforçou a insatisfação da categoria com o salário, que, segundo ela, não acompanha a inflação há mais de três anos.
“A perda real é de 26%. Nós estamos pedindo pelo menos 10% dessa perda, ainda parcelados, sendo 5% em junho e os outros 5% em novembro, e ainda assim eles não querem aceitar”, ressalta.
A categoria não reivindica apenas o reajuste salarial dos professores, mas também melhorias para outros servidores que atuam na educação do município.

“Tem também a questão da segurança e da merenda escolar, que está um descaso. As crianças lancham ovo a semana inteira; quando não é ovo, é frango. As frutas chegam todas podres, e as cozinheiras precisam cortar a maçã para tirar a parte estragada antes de servir para as crianças”, finaliza.



