A obra de revitalização do entorno do Novo Mercado Velho, em Rio Branco, voltou a gerar preocupação entre comerciantes e frequentadores da região após parte do calçadão apresentar rachaduras e afundamentos na manhã desta sexta-feira (29). O problema resultou no embargo da obra e reacendeu críticas sobre a demora na execução dos serviços.
No local, imagens registradas pela equipe da TV Gazeta mostram diversos pontos do piso cedendo, além de rachaduras na estrutura recém-construída. Em alguns trechos, a diferença de nível no calçamento chama atenção.
A revitalização da área, localizada ao lado da Passarela Joaquim Macedo, já dura cerca de três anos e afeta diretamente comerciantes que trabalham na região turística da capital acreana.
Comerciantes relatam prejuízos
Empresários e trabalhadores do local afirmam que o isolamento da área reduziu drasticamente o movimento e trouxe dificuldades financeiras para quem depende do fluxo de turistas e clientes.

“Estamos praticamente três anos parados esperando essa obra. Agora inauguraram e, com menos de um mês, já está caindo tudo”, lamentou um comerciante.
Outro trabalhador afirmou que teme novas demissões caso a interdição se prolongue.
“A conta não para de chegar. Muitas pessoas podem ficar desempregadas. Nós precisamos trabalhar porque temos família”, disse.
Segundo os relatos, a estrutura que cedeu faz parte do novo calçadão construído às margens do Rio Acre.
Deracre e Sehurb divergem sobre responsabilidade
Durante a manhã, a equipe de reportagem esteve no local e tentou obter esclarecimentos sobre a situação da obra.
A assessoria do Departamento de Estradas de Rodagem do Acre (Deracre) informou que a autarquia é responsável apenas pela obra da passarela e pela parte de contenção às margens do rio. Segundo o órgão, a revitalização do calçadão é de responsabilidade da Secretaria de Estado de Habitação e Urbanismo (Sehurb).
A reportagem também entrou em contato com a assessoria da Sehurb, que informou que daria um posicionamento sobre o caso, porém, até o fechamento desta matéria, nenhuma resposta havia sido enviada.
A equipe ainda procurou a Secretaria de Estado de Obras Públicas (Seop), mas foi informada de que a pasta não possui responsabilidade sobre a obra.
Enquanto acompanhava a situação no local, a equipe da TV Gazeta conversou com um dos diretores do Deracre, que afirmou não ter autorização para conceder entrevista e disse que apenas a presidente do órgão, Sula Ximenes, poderia se manifestar oficialmente.
Durante a tentativa de apuração, o diretor se irritou ao perceber que imagens estavam sendo registradas pela reportagem e questionou a presença da equipe no local.
“Você não tem nada a ver com isso aqui não”, disse o servidor à reportagem.
A equipe respondeu que se tratava de uma obra pública e que ele ocupava um cargo público ligado ao acompanhamento da intervenção. O embargo da obra ocorre pouco mais de um mês após a inauguração parcial do espaço pelo governo do Estado.



