A Prefeitura de Rio Branco iniciou a descentralização do atendimento contra a hanseníase e investe na capacitação de profissionais para ampliar a identificação de pacientes. Em 2024 e 2025, o Acre registrou aumento de 54% nos casos positivos da doença. No ano passado, foram confirmados 218 casos da doença no estado, sendo 150 na capital.
A estratégia inclui o treinamento de agentes comunitários de saúde e agentes de combate às endemias para identificar casos suspeitos nos bairros. A medida busca ampliar o diagnóstico precoce e interromper a cadeia de transmissão da doença.
Representantes do Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase (Morhan) apontam que a capacitação dos profissionais da rede básica é uma demanda antiga da entidade. Segundo o coordenador do Morhan no Acre, Elson Dias, o fortalecimento da atenção básica é fundamental para ampliar a identificação de casos.

Durante a capacitação, os agentes aprendem a reconhecer sinais da doença, como manchas na pele com perda de sensibilidade. Eles também recebem orientações sobre testes que podem ser aplicados durante as visitas às comunidades.
Quando houver suspeita da doença, os pacientes serão encaminhados para avaliação e tratamento. A Prefeitura de Rio Branco também passará a ofertar atendimento em unidades de saúde, medida que antes estava concentrada na Fundação Hospitalar.
O técnico do Ministério da Saúde, Artur Custódio, destacou que os agentes têm papel importante não apenas na identificação dos casos, mas também no acompanhamento dos pacientes.
“O agente comunitário de saúde sabe exatamente como é a vida das pessoas, inclusive para acompanhar o tratamento, evitar o abandono e ajudar a resolver dificuldades durante esse processo. Ele vai ajudar na detecção, mas também no acompanhamento e no pós-alta, para que a pessoa tenha qualidade de vida”, afirmou.

A chefe do programa de hanseníase, Suilane Souza, afirmou que a qualificação dos profissionais busca fortalecer a atuação das equipes nos territórios onde os casos são registrados e destacou que a integração entre os serviços é uma das estratégias para reduzir a incidência da doença.
“O objetivo dessa capacitação é ampliar o conhecimento sobre a hanseníase para que os ACS e os enfermeiros da atenção primária conheçam os casos que existem em seus territórios. A partir daí, eles poderão colaborar com os demais serviços da vigilância do município para que, trabalhando em conjunto, façam o controle do número de casos e da taxa de incidência”.

Uma carreta do Ministério da Saúde chegará a Rio Branco no dia 22 de junho para realizar o treinamento de médicos, enfermeiros e técnicos que atuam no enfrentamento da hanseníase. Além da capacitação, a estrutura também oferecerá exames para pessoas com suspeita da doença. Os pacientes diagnosticados serão encaminhados para iniciar o tratamento.
O que é a hanseníase?
A hanseníase é uma doença infecciosa causada pela bactéria Mycobacterium leprae. Ela afeta principalmente a pele e os nervos periféricos, podendo provocar perda de sensibilidade, fraqueza muscular e outras complicações quando não tratada.
A transmissão ocorre por meio das vias aéreas superiores, através da fala, tosse ou espirro de uma pessoa com a forma infectante da doença que ainda não iniciou tratamento. O contágio exige contato próximo e prolongado. A doença não é transmitida por objetos compartilhados.
Os sinais mais comuns incluem manchas esbranquiçadas, avermelhadas ou amarronzadas com alteração da sensibilidade ao calor, frio, dor ou toque. Também podem surgir formigamentos, redução da força muscular, diminuição dos pelos e do suor, além do espessamento dos nervos periféricos.
O diagnóstico é realizado por meio de avaliação clínica, dermatológica e neurológica. Os profissionais de saúde analisam lesões na pele e possíveis alterações nos nervos para confirmar a doença.
O tratamento é oferecido gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A duração varia conforme a forma clínica da hanseníase, podendo ser de seis meses ou um ano. Quando iniciado precocemente, o tratamento interrompe a transmissão e reduz o risco de sequelas.
Matéria produzida por Adailson Oliveira para a TV Gazeta e editada pelo site Agazeta.net.



