Acre tem Economia pouco dinâmica e renda concentrada
Mais uma eleição governamental se aproximando e observo a movimentação dos partidos e candidatos em busca de novas ideias para implementação de políticas econômicas que busquem superar o estágio atual da economia acriana.
Ao longo dos últimos vinte anos, o Acre foi um celeiro de implementação de propostas de desenvolvimento antagônicas sobre a regência do mesmo grupo político. As estatísticas oficiais mostram que um conjunto de indicadores socioeconômicos apresentaram, neste período, pouco dinamismo, estagnação ou ficaram pior.
O Índice de Desenvolvimento Humano apresentou substancial melhoria. Contudo, essa melhoria não foi acompanhada pela redução da concentração de renda interestadual ou interregional.
Além disso, indicadores de renda e produção não apresentaram o dinamismo necessário para criar condições objetivas para um crescimento econômico sustentável a logo prazo. O resultado que apresento é produto secundário derivado de minha pesquisa de pós-doutoramento em economia na FGV/SP. Aspectos metodológicos serão negligenciados neste texto.
Nosso objetivo neste artigo é chamar a atenção aos postulantes ao Governo do Estado, que a elaboração de políticas econômicas deve ser resultado de intenso processo de investigação que identifique os setores da economia que possam influenciar mais fortemente o desenvolvimento, pois alguns setores econômicos, em função de sua relação com os demais, podem impulsionar o crescimento em outros a partir de seu crescimento.
Alguns conceitos básicos são imprescindíveis para um melhor entendimento dos resultados
encontrados, então vamos a eles:
a. Setores-chaves: setores econômicos que apresentam impactos relevantes (maior que um) sobre os setores para quem vende (frente) e de quem compra (trás);
b. Índice de Ligação para Trás ou Índice de Poder de Dispersão: quantifica a variação da demanda por insumos de outros setores, que devem variar sua produção para atender a essa modificação da demanda. Valores maiores do que indica um setor altamente dependente dos demais setores;
c. Índice de Ligação para Frente ou Índice de Sensibilidade à Dispersão: quantifica a variação da demanda final em cada um dos setores produtivos venha a causar incremento na produção de um setor em particular”. Valores superiores a um indicam um setor cuja produção é altamente demandada pelos demais;
d. Multiplicador do produto: representa à produção adicional gerada na economia, em função de uma alteração na demanda final de um setor. Ou seja, para cada R$ 1 em produção gerado diretamente por qualquer atividade, para atender uma alteração na demanda final, o multiplicador de produção mostra quantos reais em produção são gerados na economia;
e. Campo de influência: apresenta como se distribuem as modificações dos coeficientes diretos da economia, possibilitando, identificar as relações entre os setores que seriam mais importantes no processo produtivo;
Nossa analise pautou-se sobre 26 setores da economia acriana. A figura 1 mostra os cálculos dos índices de ligação para frente e para trás. Observe que nenhum dos setores possui índices para frente ou para trás superiores a um. Os setores que apresentam melhores performances são:
16 – Eletricidade e gás, água, esgoto e limpeza urbana; 18 – Comércio e 20 – Serviços privados. Por sua vez, os setores: 07 – Refino de petróleo, coque e álcool; 16 – Eletricidade e gás, água esgoto e limpeza urbana e 04 – Alimentos, bebidas e fumo.
Os números indicam uma situação preocupante, pois inexistem setores dinâmicos na economia estadual. O mais próximo de setor dinâmico é o setor de “Eletricidade e gás, água esgoto e limpeza urbana”, que atualmente é estatal. E atualmente, tanto União quanto Estado possuem baixo poder de investimento.
Em se tratando dos multiplicadores do produto, observa-se que 2 setores se destacam: 07- Refino de petróleo, coque e álcool e 16 – Eletricidade e gás, água, esgoto e limpeza urbana, com multiplicadores de 1,76 e 1,56, ou seja, para cada R$ 1,00 nestes setores, a economia produz como um todo R$ 1,76 e R$ 1,56. Muito embora estes valores sejam expressivos, estes setores possuem limitação de crescimento.
Por fim, o campo de influência nos mostra os setores da economia que apresentam maior relacionamento com os demais setores da economia. Aqui, observa-se na figura 2, que o setor 16 – Eletricidade e gás, água esgoto e limpeza urbana apresenta sinergia significativa com os demais setores da economia. Os demais setores ou possuem impactos negligenciáveis ou baixo relacionamento com os demais setores produtivos.
Para frente Para trás
O que temos no momento é uma economia com baixo poder de sinergia setorial e baixo nível de integração. A pergunta relevante é: Como desenvolver a economia do Acre? O primeiro passo é elaborar um diagnóstico técnico e consistente sobre a conjuntura atual, não é aceitável que a formulação da política econômica seja pautada pelo “eu acho”, “eu vi na China e deu certo lá”.
A política econômica admite erros, mas não esqueça: alguém paga por estes erros. Os erros cometidos, até o momento, colocaram o Acre entre os estados com maior nível de concentração de renda do Brasil.



