Trabalhar “apenas com condições básicas de trabalho”
Em ato político realizado em frente ao Teatro Plácido de Castro, policiais militares decidiram colocar em prática a operação “Cumprindo a Lei”: o gesto político protegido por um escudo republicano. A “operação” consiste na postura elementar de que todo policial só sairá às ruas, a partir do dia 3 de janeiro, se tiver condições básicas de trabalho.
O início do ano de 2018, os policiais só saem para proteger o cidadão se tiver carros em condições mecânicas seguras e abastecidos; os coletes balísticos sem estar vencidos; os revólveres com munições que não falhem e nem coloquem a vida do policial em risco em momentos extremos.
A “Cumprindo a Lei” exagera na simplicidade e na competência de expor a gestão da Segurança Pública. Ao longo do ano, foram feitas reportagens neste site e na TV Gazeta em que viaturas sem combustível eram flagradas sendo empurradas por policiais; ou viaturas quebradas no meio de uma ocorrência.
O fato é que não são poucos os relatos de policiais militares que fazem “vaquinha” de R$ 20 de cada integrante da uma guarnição para fazer rondas. Em alguns casos, os cartões bancários oferecidos pelo batalhão para abastecer a guarnição até que serviriam, se houvesse crédito disponível.
A obediência do governo à recomendação da Promotoria Especializada de Defesa do Patrimônio Público em rever o cálculo da Sexta Parte dos Vencimentos soa estranho. Quando o MP fez recomendações, instaurou inquéritos civis, elaborou requisições fundamentadas legalmente para que o Governo revisse o projeto do bairro Cidade do Povo, a Casa Rosada deu de ombros.
Inclusive, os promotores que ousaram no questionamento tiveram problemas junto ao Conselho Nacional do Ministério Público. Então, essa “obediência” ao MP é observada pelo Palácio Rio Branco quando é conveniente.
Mas, o cálculo político tem algum sentindo se for oferecida aos policiais uma abertura de diálogo feita pela pessoa “estratégica” no “momento oportuno”.



