Grupo deve acionar MP para preservação da história
A hemeroteca do Museu da Borracha está sendo destruída pelo abandono do espaço público. O início do inverno piorou a situação. Goteiras estragam uma parte da história do Acre registrada em jornais e revistas regionais armazenados em uma sala úmida. A situação não é diferente em outros três espaços públicos: o Museu das Belas Artes e o Instituto Histórico e Geográfico.
Um grupo de intelectuais e artistas, apelidado pelo bem humorado nome de “Acrianagem”, se articula para que essa situação se resolva. Na próxima segunda feira (29), um encontro entre representantes deste grupo com a procuradora de Justiça, Patrícia Rêgo. Ela conhece o problema. Participou do processo de tombamento do Seringal Bom Destino.
“Essa é uma situação meio esquizofrênica porque a defesa do patrimônio cultural é consenso tanto entre nós, da classe artística e pessoas envolvidas com a História e a Cultura, quanto da classe política”, pontua o artista plástico e professor universitário Dalmir Ferreira. “O que nós precisamos é encontrar eficácia, ser pragmático naquilo que importa”.
Especificamente, em relação ao Bom Destino, Ferreira lembra que a Justiça estabeleceu regras e procedimentos que deveriam ser seguidos para a preservação daquele espaço. O lugar já foi motivo de diversas reportagens que denunciaram o abandono e o Conselho do Patrimônio Histórico foi criado, mas não teve condições técnicas de ser eficaz. A falta de recurso pode ser uma das causas. A falta de prioridade também.
O governo se defende como pode. Diz que, para os 21 espaços públicos destinados à preservação da memória e do patrimônio cultural do Acre, devem ser aplicados R$ 12,5 milhões. É uma intenção pleiteada junto a empréstimos ao Banco Internacional para a Reconstrução e Desenvolvimento (Bird) e ao BNDES.
“Sobre o Museu da Borracha especificamente, até o dia 20 de fevereiro chega autorização para que a empresa licitada faça o trabalho”, pontua a presidente da fundação Elias Mansour, Karla Martins. “A empresa já está licitada. As coisas estão andando. Há outros obras, como o Memorial Ilson Pinheiro, em Brasileia e o Barracão já estão em obras”.
A presidente informa também que a Biblioteca de Epitaciolândia e o Kaxinawá também já estão com duas empresas do mesmo consórcio prontas para iniciar as obras.
Os espaços Memorial dos Autonomistas, Tentamen, Escola de Música, sede do Patrimônio Histórico e Teatrão terão outros financiadores que não o Banco Mundial.



