Qual símbolo Marcus Alexandre leva para campanha?
Marcus Alexandre deixa a Prefeitura de Rio Branco. O clima não é dos melhores. E não é por responsabilidade estrita do prefeito que sai. A ressaca do processo de Lula e o ambiente de incertezas e ranhuras internas da Frente Popular tornam quase solitária a caminhada do candidato petista ao Governo do Acre.
O engenheiro de Ribeirão Preto que veio ao Acre pelas mãos de Gilberto Siqueira para cuidar da antiga Seplands vai ter que se superar. Começa agora o teste de liderança que ele nunca teve. Marcus sabe disso.
Sabe, por exemplo, que vai ter que continuar o esforço de desprender sua imagem do PT; vai ter que repactuar relações estraçalhadas em regiões sempre delicadas para a FPA como os Vales do Juruá e Iaco; vai ter que reconstruir os símbolos derrubados pelo calendário “político” conduzido pelo Palácio Rio Branco, marcado por uma gestão que pouco ouviu.
Se todo Governo necessita de um símbolo; se toda relação de poder é fortalecida por aquilo que ela representa, qual é a metáfora que Marcus Alexandre encarna? De 2012 até agora, houve execução de política estruturante em alguns setores.
Talvez, o maior destaque seja a criação do RBPrev, o Instituto de Previdência de Rio Branco. A criação é da gestão de Angelim, mas a efetivação como uma autarquia, com gerenciamento do fundo previdenciário aconteceu com Marcus Alexandre. É um problemão que se resolve. Ou, ao menos, permite melhor gerenciamento. Mas, isso dialoga com o cidadão?
De Geraldo Pereira, passando por Elias Mansour, Andryas Sarquis e finalizando com Marcelo Macêdo, a Secretaria de Finanças de Rio Branco melhora o desempenho. Aumento de receitas correntes e aumento de receitas tributárias, criação de nota fiscal eletrônica, criação da Lei de Substituição Tributária são ações práticas (e boas) da gestão de Alexandre na Prefeitura de Rio Branco. Mas, de que forma isso é sentido pela moradora lá do Taquari?
Quando Marcus Alexandre estiver lá em Feijó ou Tarauacá e apontar para Rio Branco vai dizer aos eleitores o quê? “Eu quero ser governador. Veja como eu deixei Rio Branco!” É isso que será dito?
O encanto que Marcus Alexandre terá que provocar no eleitor do interior do Acre transita entre representar o espírito de mudança que entranhou no cidadão com a continuidade de um suposto “projeto político” em execução desde 1999. Marcus vai ter que conduzir um processo um tanto quanto esquizofrênico do tipo “ser ou não ser, mas sendo”.
E, em boa medida, está só. O principal cabo eleitoral, Tião Viana, iniciou o trabalho no Palácio Rio Branco com força incomum na Aleac. Termina o mandato com relações fragilizadas e as últimas votações polêmicas no plenário falam por si.
O mesmo parlamentar da base, com cargos e empenhos calculados no paço governamental, é o mesmo que dialoga com a oposição. Sem o mínimo rubor. Quando estiver nos municípios, quais parlamentares vão estar com Marcus, pedindo voto? Nesse momento, cresce em importância a liderança de Jorge Viana, tarimbado para administrar conflitos paroquiais, mas que trava uma guerra individual para se consolidar na dianteira das pesquisas para reeleição.
Marcus vai precisar de muita ajuda. A FPA nunca esteve tão quieta em um momento em que um novo líder inicia a caminhada. Muitos espaços de poder foram perdidos por várias lideranças da Frente Popular. O que, em certa medida, incomoda alguns é saber que essa “quietude” não é serenidade.



