Comércio fechado pelo segundo dia como protesto
O comércio de Brasileia e Epitaciolândia comemoram com discrição os problemas enfrentados pelos cerca de 130 comerciantes instalados na Zofra Cobija. Os segmentos que trabalham com material de construção, eletrodomésticos, cigarros e bebidas são os que podem ter impacto positivo deste lado da fronteira.
“No curto prazo, sim, nós vamos ser beneficiados, mas e no longo prazo? Isso vai ser ruim para todo mundo. São pais de família que dependem desse comércio”, ponderou o presidente da Associação Comercial de Brasileia, Antônio da Silva Neto, mais conhecido como “Nino”, comerciante do segmento de material de construção.
“Nino” argumenta que, atualmente, com a Zona Franca Franca de Cobija operando com a atual isenção fiscal, já existe graves problemas de vendas irregulares de produtos bolivianos do lado brasileiro. “Imagine como isso vai ficar se parte deles vierem para cá”, sugeriu “Nino”.
O fato é que os cerca de 130 comerciantes da Zofra Cobija (Zona Franca) armaram nova trincheira com o governo de Evo Morales. La Paz parece estar decidida a rever a isenção tributária para a região. Pressionado politicamente, Evo Morales renovou a vigência da zona franca de Cobija por mais 20 anos (o que Morales fez a contragosto), no início do mês de abril. Mas, agora apresenta a fatura.
Quer aumentar a tributação dos atuais 3% para algo que transita entre 6% e 13%. O projeto de lei está em tramitação no Congresso Boliviano onde o Governo de Evo tem maioria. A pressão de grupos ligados à iniciativa privada existe e é grande em La Paz.
A região de Pando sempre promoveu derrotas eleitorais a Evo Morales. O Exército disse que agiria, caso os comerciantes voltassem a fechar a ponte na fronteira.



