Na região do Rio Gregório em Tarauacá, pais e alunos denunciam as condições da estrutura da Escola João Paulo III. A unidade funciona em um imóvel de madeira adaptado que apresenta risco e não atende às condições mínimas para funcionamento.
No momento, apenas uma das duas salas está em uso, enquanto parte dos alunos foi dispensada por falta de professores. Em dias chuvosos as aulas precisam ser interrompidas, pois as paredes têm frestas largas, cobertas por tábuas, e permitem a entrada de chuva.

O banheiro que existia no local, construído em madeira, desabou após deterioração da estrutura. Atualmente, os alunos precisam ir até uma área de mata próxima para fazer necessidades. Além disso, a água consumida pelos estudantes é captada da chuva. No período seco, a alternativa será um açude próximo.

“Não tem banheiro, professor tá em falta, a merenda também tá em falta. Dia de chuva não dá pra estudar porque molha tudo na nossa sala do ensino médio”, relata a estudante Keliane Lima.
De acordo com os pais, vários ofícios já foram enviados à Secretaria de Estado de Educação. Raimundo Nonato, pai de um aluno, afirma que as condições comprometem o aprendizado.
“Não temos escola, estamos estudando em uma casa. Os alunos não têm privacidade, o banheiro não é cercado, não tem cobertura. A gente queria pedir apoio das pessoas responsáveis, que possam trazer dignidade para os nossos filhos”.
Em nota, a Secretaria de Estado de Educação e Cultura (SEE) informou que a escola faz parte da política de Educação do Campo, que funciona com unidades descentralizadas em áreas de difícil acesso. Segundo o órgão, o anexo onde ocorrem as aulas foi criado para garantir o acesso dos alunos à educação.
A SEE afirmou que já emitiu ordem de serviço para manutenção do espaço, considerando as condições de deslocamento de materiais até a comunidade.
Confira a nota na íntegra:
Nota pública sobre o anexo VIII da Escola João Paulo III
O governo do Acre, por meio da Secretaria de Estado de Educação e Cultura (SEE), esclarece o funcionamento da Escola João Paulo III e de seu Anexo VIII, localizado na comunidade Monte Cristo, na região do baixo Rio Gregório.
Para garantir o acesso ao ensino nas comunidades rurais e ribeirinhas, a Educação do Campo opera com uma dinâmica descentralizada, e as escolas não se resumem a um prédio único, mas atua como uma escola-polo vinculada a ramificações instaladas nas comunidades. A Escola João Paulo III, atualmente, atende 337 alunos e conta com 21 professores, contigente que engloba a sua sede e os 12 anexos em funcionamento.
Existe uma diferença estrutural entre a sede e as extensões. O anexo é um espaço autorizado para viabilizar a oferta de ensino em áreas de difícil acesso, evitando que os estudantes fiquem fora da sala de aula. O fluxo de criação inicia-se, frequentemente, em espaços cedidos de forma voluntária por proprietários locais. Com a consolidação do atendimento e a permanência das turmas, o Estado passa a intervir com demandas de adequação física.
Diante do vídeo divulgado sobre a infraestrutura da casa de madeira que abriga a extensão, a SEE informa que já emitiu ordem de serviço para manutenção do espaço, considerando a condição atual de navegação para o deslocamento dos materiais de construção.
Rio Branco, 23 de abril de 2026.
Reginaldo Luís Pereira Prates
Secretário de Estado de Educação e Cultura
Com informações do repórter Adailson Oliveira e editado pelo site Agazeta.net.



