A rede de supermercados Arasuper adotou a escala 5×2 antes da aprovação do projeto do governo federal que propõe o fim da jornada 6×1. A medida está em fase de testes nas unidades do grupo em Rio Branco, que reúne quase 5 mil funcionários.
A mudança ocorre enquanto o projeto tramita no Congresso Nacional. A proposta do governo prevê o fim da escala 6×1 sem redução salarial, mas enfrenta resistência de parlamentares ligados ao setor empresarial. Se aprovado, o texto garante um dia a mais de descanso semanal.
Na prática, a Arasuper passou a reorganizar as escalas de trabalho por setor. A implementação ocorre de forma gradual, conforme a adaptação das equipes. A empresa informou que só deve avaliar os resultados após concluir essa etapa.
Nos primeiros dias de aplicação, não houve alteração no fluxo de atendimento ou na rotina de trabalho. Segundo a empresa, também não foi necessário contratar novos funcionários para manter o funcionamento das unidades.
A adoção do modelo também repercutiu entre representantes sindicais. O presidente da Central Única de Trabalhadores (CUT) do Acre, Edmar Batistela, critica posicionamentos contrários à proposta em discussão no Congresso e afirma que trabalhadores são influenciados por discursos políticos alinhados a interesses empresariais.
“Um dia a mais de descanso não vai trazer desemprego. É um dia a mais de folga, um dia a mais que ele pode viver com seus filhos, com a sua esposa, um dia a mais que ele pode aproveitar para ter uma vida social. O regime 6 por 1 é um regime de escravidão que vem desde a colonização do país. Então, convencendo o trabalhador que será benéfico, que ele vai produzir mais, inclusive nas empresas. Isso não vai aumentar o custo do Brasil.”

Sobre a decisão da rede supermercadista, Batistela afirmou que a medida pode influenciar outras empresas e pressionar o avanço do projeto.
“O nosso Congresso é regido pelos grandes empresários, pelos banqueiros. Eles que ditam as regras desse país. O trabalhador não tem voz. Então nós temos que forçar os nossos representantes a aprovarem, sim, 5 por 2. É uma oportunidade de a gente reparar, historicamente, a exploração dos trabalhadores desse país”, declarou.
Matéria produzida por Adailson Oliveira e editada pelo site Agazeta.net.



