Candidato acompanhado de representantes da etnia huni kui
Bolsonaro defendeu a venda de terras indígenas como forma de estimular a economia do país e “inserir” as populações tradicionais a “sair do isolamento”. A declaração foi dada no Calçadão da Gameleira como parte da agenda do candidato à Presidência em Rio Branco.
“Temos tudo, ao nos unirmos, formamos uma grande nação. O que o índio nosso irmão quer? Ele não que ser latifundiário. Ele quer a sua terra e nela ter o direito de produzir. Inclusive, garimpar, se assim entender. E, mais ainda: se quiser vender um pedaço dela, que a venda”.
O candidato do PSL reforçou a ideia de que a referência fundamentada no consumo de produtos industrializados é o que deve nortear a cultura dos povos indígenas. “O índio não quer ficar isolado em uma terra indígena, sendo tratado por políticos inescrupulosos, como se fosse algo a ser preservado. Um índio evolui, assim como nós, brancos e negros. Eles querem se integrar à sociedade. Eles querem internet. Eles querem um carro.”
Bolsonaro também voltou a tratar da questão da garimpagem em terra indígena. “Eles [indígenas] querem garimpar a sua riqueza, seu subsolo, e vender pra nós. Eles querem ser gente (sic) como nós. Mas, uma parte de gente (sic) desse Brasil não quer vê-los agindo dessa maneira: quer vê-los isolados, como se fosse algo para ser preservado Esses irmãos querem e serão integrados a todos nós. Vamos respeitar os seus direitos, mas não vamos conceder excessos nem para um lado e nem para outro”.
O assunto não encontrou sintonia entre especialistas que dedicam a vida a defender populações indígenas nas regiões mais isoladas. O sertanista José Carlos Meirelles trabalhou na Funai na Frente de Proteção Etno-ambiental do Rio Envira. Viveu pelos índios e quase morre por eles.
Meirelles não apoia a ideia de o Estado brasileiro incentive a venda de terras indígenas. “Só se ele mudar a Constituição”, diz o sertanista, referindo-se às declarações do candidato Bolsonaro. “As terras indígenas são inalienáveis”.
No Acre, há 36 terras indígenas. São 2.439.982 hectares. Isso equivale a 16% da extensão do estado.



