Dois programas tentam retomar auto sustentabilidade
Os candidatos ao Governo do Acre praticamente ignoraram os problemas relacionados à cadeia produtiva do leite, durante as conversas realizadas no programa Gazeta Entrevista. O tema não foi abordado especificamente nem quando se falava a respeito do setor produtivo.
O assunto está presente nos Planos de Governo dos dois candidatos que têm melhor desempenho nas pesquisas, Gladson Cameli e Marcus Alexandre. Mas a ausência do tema nos argumentos durante as entrevistas força a percepção de que o entendimento sobre o assunto não é o adequado, diante de um segmento da economia rural que agrega tecnologia à rotina do produtor, gera renda, consolida a vida no campo e fortalece a mão de obra familiar.
Há dois programas em execução que tentam retomar a auto sustentabilidade na produção do leite. Um é o Programa de Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (PDSA), executado pela Seaprof. O outro é o “Evolui Leite”, realizado pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), em parceria com o Sebrae, por meio de um convênio de R$ 700 mil, com previsão de ser executado nos próximos dois anos.
Esses programas dialogam. Estão sendo feitos projetos pilotos com 67 famílias ao longo da BR-364. A ideia é ampliar para 97 nos próximos dois anos. A referência utilizada pelos técnicos do PDSA é a que já foi criada no programa “Balde Cheio” pela Embrapa. Já o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural trouxe como referência experiências desenvolvidas na cadeia produtiva do leite em Goiás.
Atualmente, a produção acriana diária de “leite oficial” (produção que passa por algum tipo de inspeção) é de 45 a 50 mil litros. É uma estimativa já que existe produção (e consumo) de leite que não passa por nenhum tipo de fiscalização.
De acordo com dados da Secretaria de Estado de Fazenda, ano passado foram comprados de outros estados leite, manteiga e queijo que resultaram em R$ 110 milhões. É uma cifra que se refere especificamente a esses três tipos de produtos.
Não estão computados outros produtos lácteos. É um dinheiro que sai do Acre e que poderia circular aqui dentro se a cadeia produtiva do leite estivesse melhor estruturada.
A meta dos técnicos é garantir uma produção diferenciada para cada propriedade. Além disso, a produtividade tem a meta de sair do atual 1 litro por hectare para 100 litros por hectare nos próximos cinco anos. Essa média alta está relacionada ao fato de a cadeia produtiva do leite tem histórico de “dar respostas rápidas à aplicação de tecnologia”, segundo informou o coordenador da cadeia de Valor da Pecuária Leiteira da Seaprof, Francisco Dantas.
“Se o Governo garantir ramal, o resto o produtor faz”, diz Assuero Veronez
O presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Acre, Assuero Veronez, voltou a se entusiasmar com a possibilidade de reestruturar a cadeia produtiva do leite. “O que se produz hoje é irrisório”, reconhece. “Mas se o governo garantir o escoamento, que é obrigação dele porque trata se infraestrutura… se ele garantir a manutenção de ramais durante o ano inteiro, o resto o produtor faz”.
São quatro fatores, segundo Veronez, que precisam ser priorizados: melhoramento genético do plantel; nutrição animal (investimento em pastagem e em silagem); sanidade animal e gestão.



