A Casa de Acolhimento Sousa Araújo recebeu o repasse de R$ 500 mil do governo do Acre e conseguiu aliviar parte dos débitos acumulados após meses de dificuldades financeiras. A unidade estava há três meses sem recursos para quitar salários de 53 funcionários e pagar fornecedores de alimentos e materiais de curativo.
A instituição acolhe atualmente 20 residentes permanentes e também atende cerca de dez pacientes temporários. Muitos vêm do interior do Acre e de municípios do Amazonas, como Lábrea, Pauini e Eirunepé, em busca de atendimento em saúde.
A unidade estava há três meses sem recursos para quitar salários de 53 funcionários. Foto: Reprodução/TV Gazeta
Com estrutura antiga e poucos investimentos ao longo dos anos, o espaço já foi um dos maiores hospitais e colônias para atendimento de pessoas com hanseníase na região Norte. Hoje, a manutenção das atividades depende de repasses do governo estadual, que, segundo a direção, frequentemente não chegam dentro do prazo.
A liberação dos recursos ocorreu após manifestação pública do bispo Dom Joaquín Pertíñez Fernández, que cobrou apoio para a continuidade dos atendimentos.
A diretora da unidade, irmã Celeste, destacou o papel social desempenhado pela casa. “A importância desta casa é porque ela acolhe as pessoas, os hansenianos, que, embora não sejam mais obrigados a permanecer em um local reservado, ainda há pessoas que, por questões sociais, precisam deste espaço. Muita gente que vem de Envira, Eirunepé e Lábrea, municípios do Amazonas, busca atendimento de saúde, não apenas por causa da hanseníase, mas por outras questões. Assim, a casa acolhe”, afirmou.
A diretora da unidade, irmã Celeste, destacou o papel social desempenhado pela casa. Foto: Reprodução/TV Gazeta
Mesmo com poucos recursos, a instituição tenta manter atendimentos básicos. Uma das iniciativas foi a criação de um pequeno espaço para fisioterapia e exercícios físicos, montado com equipamentos doados. O fisioterapeuta Janimar Nogueira explicou como o projeto foi viabilizado.
Uma das iniciativas foi a criação de um pequeno espaço para fisioterapia e exercícios físicos. Foto: Reprodução/TV Gazeta
“Foi por meio de parcerias e amigos que perceberam a necessidade de termos equipamentos para oferecer uma qualidade de tratamento mais digna para cada um deles”, disse.
O fisioterapeuta Janimar Nogueira explicou como o projeto foi viabilizado
A falta de recursos também compromete a estrutura física da unidade. A Diocese realiza pequenas reformas para manter os blocos em funcionamento, mas uma das alas precisou ser interditada. O espaço conta com dez quartos fechados desde 2016 por causa de rachaduras na estrutura. Com a interdição, mais de 30 pacientes deixaram de ser atendidos.
Com a interdição, mais de 30 pacientes deixaram de ser atendidos
Além disso, outras áreas também necessitam de intervenções urgentes. Nos apartamentos das moradoras residentes, o piso está sendo substituído, enquanto parte da cobertura de um corredor apresenta risco estrutural.
Segundo a direção, apesar das limitações, o local continua sendo referência para pessoas que perderam vínculos familiares ou dependem da instituição para cuidados contínuos.
“Eles estão aqui, são bem cuidados. Também é uma questão social, uma questão de saúde e uma questão social”, concluiu irmã Celeste.
Matéria em vídeo produzida pelo repórter Adailson Oliveira para TV Gazeta e editada pelo site Agazeta.net
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