A Defesa Civil de Rio Branco acendeu o alerta para um cenário de seca severa nos próximos meses, impulsionado pela possível atuação do fenômeno El Niño, que pode se intensificar e provocar impactos significativos em todo o estado.
De acordo com as previsões, o período chuvoso ainda deve se manter durante abril, mas a partir de maio o clima passará por uma mudança brusca. As temperaturas tendem a subir de forma acentuada, podendo alcançar sensação térmica de até 45°C. Com isso, a estiagem deve se intensificar, trazendo uma série de consequências para diferentes setores.
Entre os principais impactos previstos estão o aumento das queimadas, a piora na qualidade do ar e o risco de retorno das nuvens de fumaça que afetaram o estado em 2024. Além disso, há preocupação com o desabastecimento de água e prejuízos diretos à agricultura, pecuária e piscicultura.
A população também pode sentir os efeitos no dia a dia, especialmente em áreas urbanas. Usuários do transporte público, por exemplo, podem enfrentar dificuldades adicionais devido à exposição prolongada ao calor, principalmente em locais sem estrutura adequada, como pontos de ônibus sem cobertura.
Diante desse cenário, a Defesa Civil municipal já iniciou a articulação de um plano emergencial para reduzir os impactos da seca. Segundo o coordenador do órgão, Cláudio Falcão, a estratégia envolve a atuação conjunta de diversas secretarias.
“É por isso que a Defesa Civil Municipal de Rio Branco já vai começar as reuniões com as secretarias afins, ou seja, a Secretaria de Meio Ambiente, a Secretaria de Agricultura, a Secretaria de Saúde e também a superintendência da RBTrans, para poder a gente fazer todos os planos necessários para minimizar todos os impactos que vão vir dessa grande seca que nós vamos enfrentar”, afirmou.
A preocupação com o aumento das queimadas também é considerada central. No ano passado, entre os meses de julho e setembro, foram registrados cerca de 3 mil focos de calor em Rio Branco, número que pode dobrar caso o cenário climático se confirme.
Previsões e incertezas
Segundo o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais, há mais de 80% de probabilidade de ocorrência de um novo episódio de El Niño na segunda metade de 2026. Já a NOAA aponta que o fenômeno pode variar entre intensidade moderada e muito forte, ainda sem confirmação de um “Super El Niño”.

O que já é consenso entre os órgãos de monitoramento é que o fenômeno deve provocar efeitos significativos no Brasil, especialmente na região Norte, onde a tendência é de estiagem mais intensa.
Com o cenário em formação, autoridades reforçam a necessidade de planejamento antecipado e ações preventivas para evitar que os impactos ambientais, sociais e econômicos sejam ainda mais severos nos próximos meses.
Com informações do repórter Adailson Oliveira, para a TV Gazeta.



