Manobra faz repúdio se transformar em “esclarecimento”
A base do prefeito parou a sessão nessa quinta-feira e foi se reunir a portas fechadas. Havia uma nota de repúdio endereçada à prefeita Socorro Neri, por ter impedido o vereador Carlos Juruna de assumir a prefeitura na ausência da gestora que estava viajando para o Rio de Janeiro.
Juruna esperou ser chamado, ficou dois dias na expectativa e nada. Um grupo de vereadores, mais próximos da prefeita, queria impedir a publicação da nota de repúdio. Não conseguiram barrar o movimento, mas a nota de repúdio perdeu força nas palavras: virou nota de esclarecimento.
No documento, a Mesa Diretora apenas explicou porque Juruna, que era o presidente da Câmara no período, deveria assumir o Executivo. A nota trazia ainda a falta de diálogo e clama mais trabalho para harmonizar os poderes e pediu que a situação não se repetisse.
Em entrevista, o presidente da casa Manuel Marcus mostrou descontentamento com a atual gestão. “A prefeita foi levada por alguns assessores a não colocar Juruna para substituí-la. Essa pessoa deveria aparecer ou a prefeita mostrar. Não vale a pena esse desrespeito entre os poderes”, declarou.
Os vereadores de oposição, que não foram chamados para a reunião, disseram que a base está rachada e existe certo distanciamento da prefeitura.
Juruna, que sempre foi um defensor da Frente Popular, está revoltado e exigiu que a Mesa Diretora tomasse alguma providência. Mas, para não deixar o clima mais agitado entre Executivo e Legislativo, tanto a prefeita Socorro Neri quanto os vereadores da base se eximiram da culpa de não aceitar Juruna na Prefeitura. A nota concretiza isso: os vereadores da base encheram de adjetivos o documento de um esclarecimento que deveria ter sido feito pela própria prefeita.



