Feres: prefeita precisaria se inspirar em Yolanda
Os dados apresentados pela RBTrans podem estar bem longe da realidade dos custos do sistema do transporte coletivo. Essa é a conclusão a que chegou o engenheiro Roberto Feres. Pelos números, ele mostra que a prefeita de Rio Branco, Socorro Neri, que pode aprovar o reajuste da tarifa de R$ 3,50 para R$ 4,03, e faça uma intervenção no sistema, com uma auditoria nas contas das empresas.
O que se vê atualmente é que a planilha apresentada pelos empresários é aceita pela prefeitura sem contestação, e até ganha defesa dos agentes públicos que deveriam analisar os números em busca de uma tarifa que fosse justa para quem é usuário do serviço. O engenheiro civil Roberto Feres, que já trabalhou no sistema de transporte do município, buscou uma justificativa para o reajuste da tarifa como quer a RBTrans.
O engenheiro se deparou com uma situação inusitada: apesar de mostrar os custos em planilha com combustível, pneu, manutenção, folha de pagamento e outras despesas, as empresas não comprovam esses gastos que justifiquem o aumento.
Para Roberto Feres, a planilha apresenta tantas despesas questionáveis que pode estar sobrando um R$ 1,5 milhão por mês. “Nessa conta, a prefeitura poderia manter o valor atual da tarifa e mesmo assim o sistema se manteria”, afirmou.
Ele aponta alguns gastos que aparecem na planilha que merecem uma melhor análise: administração do sistema com R$ 500 mil por mês; aluguel de veículos de apoio, que ninguém sabe onde atuam; custos ambientais e até remuneração da diretoria das empresas e Sindicol.
Para o engenheiro civil, a saída seria uma auditoria nas planilhas. No entanto, como a prefeitura não tem coragem de fazer, que Ministério Público e órgãos de fiscalização façam esse serviço urgente. “Assim se saberia até que ponto as empresas mentem ou se realmente trabalham com as contas no vermelho como alegam os empresários”, alertou.
O engenheiro Roberto Feres chama a atenção para outro detalhe: a quantidade de usuários. Em 1993, eram quase 3 mil catracadas por mês. Nos números atuais da RBTrans, só tem a metade desses passageiros.
Nesses 25 anos, a cidade cresceu, o número de moradores aumentou e a quantidade de usuários caiu drasticamente. “Ou o sistema não consegue atrair as pessoas pelo mau serviço que presta ou pode ser um exemplo de que os órgãos de fiscalização precisam auditar para verificar não existe um caixa dois nas empresas”, explicou.
Em 1985, quando os empresários do transporte coletivo exigiram uma tarifa muito alta com a mesma desculpa de trabalhar no vermelho, a Prefeitura de Rio Branco fez uma intervenção e descobriu que os números apresentados estavam longe da realidade.
Nessa época, Roberto Feres foi um dos interventores. Em 1993, foi a vez da então governadora Iolanda Lima Fleming assumir o sistema e retirar o poder das empresas. “Hoje precisa que a prefeita Socorro Neri crie coragem de fazer a mesma coisa”, lembrou.



