Acre é caso a ser estudado por especialistas políticos
O site AGazeta.Net publica um texto do jornalista Altino Machado que pontua o processo que levou Gladson Cameli à vitória deste histórico dia 7 de outubro.
Fim da era dos “meninos do PT” no Acre. O governador eleito do Estado é o engenheiro e senador Gladson Cameli(PP), de 40 anos, que derrotou o engenheiro e ex-prefeito de Rio Branco Marcus Alexandre (PT).
Após 20 anos, o PT dos irmãos Jorge Viana (senador) e Tião Viana (governador) devolve o comando político do Estado ao sobrinho do empreiteiro Orleir Cameli, a quem Jorge sucedera no governo estadual.
Na semana passada, declarei à jornalista Dani Chiaretti, do Valor, que o PT não pode lamentar a perda do governo do Acre. Depois de duas décadas, é natural que haja renovação como parte do arejamento que só a democracia é capaz de proporcionar ao povo.
É inegável que o Acre vivenciou muitos avanços e erros com a ascensão do “meninos do PT”, como eram chamados por Edmundo Pinto, o governador do Acre assassinado em São Paulo em maio de 1992, contra quem Jorge Viana disputou e perdeu primeira eleição.
Quando o engenheiro florestal e senador agora derrotado Jorge Viana articulou a coligação Frente Popular do Acre e foi eleito governador, os “meninos do PT” cogitavam como meta a possibilidade de passarem 20 anos no poder. Parecia impossível, mas conseguiram realizar a proeza.
O Acre é realmente um caso a ser estudado pelos cientistas políticos. Embora elegendo governos do PT por duas décadas, o ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff nunca venceram no Estado. O povo deu preferência aos tucanos José Serra, Geraldo Alckmin e Aécio Neves.
Nos últimos 12 anos, o eleitorado do Acre vinha reafirmando a confiança no projeto do PT, mas com uma pequena margem de diferença nas urnas. Nestas eleições, a autofagia do PT e sua crescente margem reduzida de votos foi agravada pelo cenário da política nacional, comprometendo sua permanência no governo estadual e sua cadeira no Senado.
Filho de uma família rica, o jovem senador Gladson Cameli sabe que terá nos próximos quatro anos o maior desafio de sua vida pública.
Nos últimos dois anos tive o prazer de receber Gladson Cameli em minha casa – a primeira vez no ano passado, quando chegou e pediu-me que falasse com toda franqueza sobre sua disposição de se lançar candidato ao governo. A segunda vez, em janeiro deste ano, acompanhado do pequeno Guilherme, veio para convidar-me a trabalhar em sua campanha, o que não foi possível. Após eu dizer tudo o que ele queria ou não ouvir, durante a primeira visita, o senador disse:
“É incrível, Altino. Tudo o que você diz é o mesmo que os meus pais me dizem. Mas eu não posso recuar a esta altura porque daria margem a que dissessem que me vendi para o PT”.
Como cidadão desta terra, fica o meu reconhecimento e agradecimento aos “meninos do PT”, que hoje estão crescidos, com anos de experiências acumulados, e que sigam participando e colaborando para o bem do Acre, ainda que agora no campo da oposição.
Ao governador eleito Gladson Cameli, que já fez parte da Frente Popular do Acre, votos de sucesso ante o maior desafio de sua vida.



