Dinheiro público desperdiçado por má gestão de cooperativa
Uma indústria destruída pela ineficiência administrativa de uma cooperativa e a omissão do Governo do Estado e da Prefeitura do Bujari mostra como alguns projetos são tratados no Acre. Em 2012, foi inaugurada no município uma indústria de embutidos de peixe de quase um milhão de reais com a promessa de vender filé de pescado para outros estados e até o Peru.
Só com aquisição de material e equipamentos foram gastos R$ 432 mil. O problema é que a unidade funcionou poucos meses. O que sobrou do projeto mostra o descaso com o dinheiro público. O prédio ficou sob a responsabilidade da Cooperpeixe a cooperativa dos criadores e produtores rurais do Bujari. A Cooperpeixe contratou funcionários e tinha como base de vendas fornecer alimento para a merenda escolar.
Com a desculpa de problemas técnicos, principalmente com a energia, o empreendimento foi fechado. Com o prédio abandonado, os vândalos assumiram a direção: levaram todos os móveis, equipamentos e máquinas. Pouca coisa sobrou.
Duas câmaras frigoríficas enferrujam junto com os motores que ainda podem ser usados. A máquina usada para moer a carne do peixe, uma das peças principais, foi parar no vaso sanitário. A mesa usada para limpeza dos peixes ainda não foi levada, mas está toda enferrujada. Já a parte elétrica virou um bom negócio para os ladrões. Toda a fiação foi levada.
O forro foi arrancado e nessa parte atearam fogo. Pouca coisa resta do promissor projeto que traria emprego e renda para o Bujari. A indústria tinha capacidade de produzir até 30 toneladas de embutidos por mês. No entanto, não saiu dos discursos políticos da época.
Atualmente, a Cooperpeixe está com pedido de falência. São várias dividas trabalhistas, empréstimos não quitados e os produtores que, inicialmente, venderam peixes para a indústria e não receberam pagamentos, uma conta que pode chegar a R$ 500 mil.
O atual presidente da Cooperpeixe, Paulo Peres, disse ao telefone que não quer falar sobre o assunto “para evitar politicagem”, e vai avaliar um dia, “quando não estiver muito ocupado”, para gravar entrevista.
O dinheiro para a construção da indústria veio de um termo de cooperação entre a Secretaria de Estado de Indústria e Comércio e do Fundo Estadual de Floresta, que recebe dinheiro internacional para financiamentos de projetos sustentáveis.
Em 2014, a Cooperpeixe recebeu aditivos para compra de peixe dos produtores com o anunciou de que iria beneficiar 300 famílias.
O secretário de Estado de Indústria e Comércio, Michel Marques, que era prefeito do Bujari na época e construiu o prédio, disse que o governo não pode fazer nada. “Os recursos foram a fundo perdido e tudo cedido sob a responsabilidade da Cooperpeixe. A saída agora é repassar a estrutura para outra cooperativa”, explicou.












