Dados compilados pelo IBGE e pelo Ministério do Trabalho mostram que o Acre registrou 5.642 casos de trabalho infantil em 2024. Desse total, quase 5 mil ocorreram no interior do estado. Em Rio Branco, foram identificados 682 casos, número que coloca a capital acreana como a oitava do país com maior proporção desse tipo de ocorrência.
Segundo a fiscalização, o número elevado de casos revela falhas no acompanhamento dessas situações, principalmente fora da capital. No ano passado, apenas uma criança foi retirada do trabalho infantil em Rio Branco.
Em Cruzeiro do Sul, a Superintendência Regional do Trabalho encontrou, em 2023, crianças e adolescentes atuando em casas de farinha e na produção de itens vendidos em feiras da cidade.
Nos municípios isolados, onde a fiscalização é menor, o trabalho infantil ainda é tratado como algo comum. A situação também envolve resistência de parte das famílias, que colocam crianças em serviços considerados perigosos, o que acaba afastando muitos jovens da escola.
O superintendente regional do Ministério do Trabalho e Emprego no Acre, Leonardo Iani, afirmou que o trabalho infantil afeta diretamente o desenvolvimento das crianças.
“O trabalho infantil é grave sobre todos os aspectos, até porque a criança é um ser em desenvolvimento, ela ainda não está plenamente madura para trabalhar. Então, o trabalho precoce compromete até o crescimento saudável dessa criança.”

“O ano passado nós estávamos com déficit de fiscais, então concentramos nossas ações na capital. Por isso houve apenas um único afastamento. Mas houve o CNU com a contratação de 900 fiscais em todo o Brasil. Recebemos nove fiscais e, para este ano, estamos prevendo ações para o interior.”
A Superintendência informou que pretende montar um grupo de trabalho para reforçar a fiscalização em todo o Acre.
Matéria produzida pelo repórter Adailson Oliveira e editada pelo site Agazeta.net.



