Deputado Flaviano Melo avalia cenário pré-campanha
Com a autoridade de quem se filiou ao PMDB em 1969, Flaviano Melo fala do partido com a intimidade de poucos. A ascensão interina de Michel Temer ao Planalto colocou o parlamentar acriano como um dos principais articuladores políticos em um círculo muito restrito da atual esfera de poder em Brasília.
Ele nega a informação de que tenha sido sondado para assumir o Ministério do Turismo e faz duras críticas à gestão petista, tanto em Brasília quanto no Acre. “Dilma é que foi péssima para o Acre e para o país”, avalia.
Sobre o prefeito de Rio Branco, Marcus Alexandre, tem a seguinte leitura. “Foi um dos piores prefeitos que teve a nossa cidade. Eu não vejo realização nenhuma do prefeito. Absolutamente, nada. A gente anda e não vê nada. A cidade está parada”.
Por telefone, ele resolveu quebrar o silêncio e falar sobre o cenário político de Brasília e do Acre.
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O senhor foi sondado pelo Palácio do Planalto para assumir o Ministério do Turismo? Essa informação procede?
Não. Não procede. Foram amigos que sugeriram o meu nome, mas não procede. E nem eu tenho interesse.
Mas, não tem interesse por quê? Muita gente gostaria de assumir um ministério.
Eu acredito que muita gente tenha interesse. Mas, eu já tive problemas de saúde sério. Não estou mais com disponibilidade de encarar esse desafio mais, não. Já passou minha idade.
O vice-presidente do Senado, senador Jorge Viana, trouxe, em recente entrevista, a seguinte lógica: “Não dá para fazer avaliação do governo Temer em nada. Em nenhuma área porque é um governo provisório…”
Isso é o discurso do PT. O que acontece é que é um governo interino que, dentro em breve, será definitivo porque o impeachment será confirmado no Senado. E o que nós estamos vendo é que muita coisa já melhorou nesse país. O que o PT levou a vida toda e não conseguiu fazer na negociação da dívida com os estados, em meia hora de conversa o Temer resolveu. E resolveu deixando todos os governadores satisfeitos e fazendo com que essa negociação seja boa para o Brasil. Com quarenta dias de governo, você já vê a economia a andar, o desemprego diminuindo, a inflação diminuindo o ritmo. O PT deixou o Estado tão ruim, falido, que não será fácil levantar, mas a coisa começou a andar.
O início do Governo Temer lhe surpreendeu de alguma forma? Ele cometeu alguns vacilos claros: anunciou que faria um ministério sem pessoas investigadas, cedeu, manteve pessoas investigadas e deu no que deu.
Não… porque ele não deixou, não. Os ministros que apareceram eles foram pedidos para sair (sic) do Governo e saíram. Agora, você não pode deixar de levar em consideração que o governo de Michel Temer foi montado no dia seguinte após ele tomar posse. Ele só soube que ia tomar posse quando a Câmara autorizou o Senado a julgar o processo de impeachment. Então, naquele dia, ele teve que fazer tudo: montar um governo. Não teve transição. Inclusive, deletaram tudo dos computadores do Governo. Aquele hábito que tem o PT que fizeram na Prefeitura [de Rio Branco, quando Mauri Sérgio assumiu a gestão após Jorge Viana], eles também fizeram aqui. Essas coisas são difíceis. Mas, a gente está enfrentando e, com certeza, o Temer vai preparar o país para o próximo governo.
E o Acre? Algumas lideranças políticas regionais trabalhavam com a ideia de que o presidente Temer não daria ao Acre o tratamento que foi dado nas gestões petistas.
Eu não sei o que é tão temerário em quê. Por quê? Eu não vejo nenhuma razão para isso. O PMDB nunca teve como prática fazer discriminação. De jeito nenhum. Ao contrário: o PMDB é um partido democrático e que sabe conviver com as diversidades políticas e ideológicas. Não sei de onde foi tirado isso. Está tudo absolutamente normal. As emendas sendo empenhadas. Quem reduziu as emendas parlamentares foi o governo Dilma. Os nossos valores de onze milhões de emendas terminaram em onze agora. O Temer já está revendo um contingenciamento que ela fez. Dilma é que foi péssima para o Acre e para o país.
Eleições. O que as eleições de outubro trazem de novo?
O que ela tem de novidade é que o PMDB novamente vem com uma candidata muito forte. A última eleição que o PT perdeu na capital do Acre foi para o PMDB. A Eliane Sinhasique é uma política nova que o nome surgiu a partir da população: não foi um nome indicado pelo PMDB. O PMDB recebeu, ouviu as vozes da rua para coloca-la como pré-candidata. Essa é a grande novidade da eleição deste ano.
Por falar em “novidade”, o atual prefeito de Rio Branco venceu as eleições com o discurso de executar políticas públicas inovadoras. O que há de novo na gestão de Marcus Alexandre?
Eu acho que não houve nada. Foi um dos piores prefeitos que teve a nossa cidade. Eu não vejo realização nenhuma do prefeito. Absolutamente, nada. A gente anda e não vê nada. A cidade está parada. Ele circula na cidade. É a forma dele administrar: andar pela cidade. Mas, fazer alguma coisa… eu não conheço.
A “parceria” entre os governos petistas no Planalto, no Estado e na prefeitura, todos do mesmo partido, não surtiu efeito, na sua avaliação?
Não porque eu não estou vendo nada concluído. Nós estamos no final do governo e as avenidas que ele iniciou… eu não estou vendo nada concluído. Então, que benefício foi esse que trouxe essa parceria? Eu espero que ele mostre quais foram esses benefícios.
Que garantias o eleitor pode ter de que Eliane Sinhasique concretizaria esse desejo de mudança que o partido traz no discurso?
Se você olhar, recentemente, o Vagner Sales foi eleito e reeleito prefeito de Cruzeiro do Sul. O Governo do Estado não ajudou em nada [enfatizou a expressão “em nada” em um tom acima] aquela prefeitura. E o Vagner fez uma bela administração trabalhando conosco, com as emendas que nós colocamos. Ele está muito bem avaliado e serve de exemplo. O PMDB sabe escolher as prioridades, entender o que o povo quer.
Por que essa retórica de implementar mudanças não unifica a oposição aqui no Acre?
Não se preocupe porque vai unificar. No Acre, você tem que ver que o único partido que não esteve ‘do lado de lá’ foi o PMDB. Todos os outros já participaram de alianças com o PT. Nós estamos trabalhando no sentido de que haja unidade e eu espero conseguir.



