O cacique Ninawa, presidente da Federação do Povo Hui Kui, criticou a visita do deputado federal Nikolas Ferreira ao Acre. Em vídeo publicado nas redes sociais, a liderança indígena afirma que a agenda promovida pelo senador Márcio Bittar não representa os povos indígenas e classificou a visita como uma ação de “marketing”.
Nikolas Ferreira está no Acre a convite de Márcio Bittar para conhecer o que o senador chamou de “Amazônia real”. Durante a declaração, Ninawa diz que não autorizou que parlamentares falem em nome das comunidades indígenas do estado.
“Esse marketing causado pelo senador Marcio Bittar, na vinda do deputado federal Nikolas Ferreira no Acre, dizendo que vem visitar as comunidades indígenas, isso é mais uma questão de marketing, porque nós não autorizamos que essas pessoas falem em nome dos povos indígenas”, afirma.
No vídeo, a liderança indígena acusa os parlamentares de defenderem medidas que, segundo ele, ameaçam os territórios indígenas e os direitos das comunidades tradicionais.
“Degrinem a imagem do nosso povo e saem por aí dando uma de bonzinho, enquanto são as principais pessoas que estão no Congresso Nacional lutando para retirar os nossos direitos dos territórios, para entregar para as corporações. Nós não somos miseráveis, nós vivemos muito bem antes da colonização e agora está sendo comprometida pelos projetos de lei apresentados, defendidos e votados por pessoas como o senador Márcio Bittar e como o deputado federal Nikolas Ferreira, entre outros”, declara.
O cacique também afirma que os povos indígenas não precisam desse tipo de representação política e defende respeito à forma de vida das comunidades dentro dos territórios.
“Nós não estamos precisando desse tipo de representatividade, nós não aceitamos. Nós somos povos que temos nossa liberdade, que temos a nossa forma de viver e que queremos que seja respeitada a forma em que nós estamos vivendo dentro dos nossos territórios”, disse.
Ao final do vídeo, Ninawa critica a postura de parlamentares em relação às políticas públicas voltadas aos povos indígenas.
“Em vez de denegrir a imagem dos povos indígenas, denegrir a imagem do nosso estado, deveria estar fazendo investimento para as políticas públicas, que esse tipo de pessoas não tem nenhum compromisso com os povos indígenas, pelo contrário, querem destruir, tomar os territórios em favor dos seus interesses”, afirmou.
Márcio Bittar é um dos defensores da tese do marco temporal no Congresso Nacional. A proposta estabelece que só podem ser demarcadas terras indígenas ocupadas pelos povos originários em 5 de outubro de 1988, data da promulgação da Constituição Federal.
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