PMDB faz mais prefeituras, mas sentimento é de derrota
A contabilidade das eleições 2016 coloca o Acre sem sintonia com o restante do país. O PT reconquistou prefeituras simbolicamente importantes, como Xapuri e Brasileia, venceu em Mâncio Lima e reelegeu em primeiro turno o prefeito da Capital.
Esse é o aspecto tático: o PT venceu em quatro cidades acrianas e participa de 10 outras coligações. Isso sem contar os quatro vereadores da sigla com assento na Capital. São os fatos com números.
A reeleição em primeiro turno de Marcus Alexandre tem simbolismo forte. É o único prefeito de Capital do partido. Alexandre é uma nova espécie de estrela na desgastada constelação do país da Lava Jato.
E não adianta a oposição tentar desqualificar a vitória petista no Acre. Ao contrário: deveria tentar compreendê-la para construir um cenário de vitória. E tem potencial para isso: no interior, seis prefeituras. Cruzeiro do Sul, Porto Walter, Manoel Urbano, Rodrigues Alves, Marechal Thaumaturgo e Sena Madureira.
O Vale do Juruá, a região que, segundo estudo da Ufac, é onde há maior concentração de miséria no Acre, tem supremacia peemedebista, inclusive com o primeiro prefeito indígena do estado, Isaac Piyñako. O que faz o relativo sucesso peemedebista no interior não ser replicado na Capital?
O Glorioso tinha uma boa candidata, mas que se mostrou praticamente sozinha na campanha, exceções a Flaviano Melo e Sérgio Petecão. Os demais não concretizaram o apoio necessário, incluindo o PMDB nacional.
Sem contar a falta de apoio financeiro suficiente, o PMDB brindou Sinhasique com um vídeo de Eliseu Padilha tão conhecido no Acre quanto Marcio Bittar que nem a cria conseguiu eleger vereador na Capital.
No plano estratégico, a Rede Sustentabilidade foi a grande vencedora. Apresentou ao eleitor uma alternativa concreta de reformar a maneira de fazer política: com lógica, dados, sem dinheiro e sem agressividade.
Carlos Gomes mostrou, na prática, como um candidato pode ser sereno sem deixar de ser combativo.
Por que tanta “renovação” na Câmara?
O eleitor fez uma “renovação” na Câmara de Vereadores de Rio Branco. Apenas 5 dos 17 parlamentares voltaram. Por que o eleitor promove uma mudança de mais de 70% no parlamento e essa postura não “migra” para o Executivo?
Uma resposta possível é que o eleitor, no parlamento, aceita (e até incentiva) uma postura mais aguerrida, mais impulsiva, tolerando até algum destempero. Mas, no Executivo, a conversa é outra. O perfil exigido do gestor é outro.
Mais uma vez, o que se apresenta é um parlamento com maioria governista e o PT com força hegemônica. E isso, forçando a barra e contabilizando N.Lima como “oposição”. Roberto Duarte vai encarnar aquela polarização já rotineira nos parlamentos.



