Padilha diz que contato virou “show midiático”
As imagens do contato com índios isolados em julho de 2014, no Rio Envira, na fronteira com o Peru, repercutiram no mundo e ganharam a revolta do CIMI (Conselho Missionário Indigenista).
A ONG ligada à Igreja Católica publicou relatório referente aos dados de 2015, onde revela a omissão do Governo Federal em demarcar as terras onde vivem índios isolados. Ao mesmo tempo, os missionários chamam de “violência e desrespeito” o fato de os antropólogos da Funai divulgarem vídeos nos quais mostram o contato com índios isolados na aldeia Simpatia, da etnia ashaninka, no Alto do Rio Envira.
O missionário Lindomar Padilha explicou que esses indígenas (isolados) têm o direito de viver na floresta sem receber a “cultura” e os “valores” dos não índios. “Não devemos procurar nos aproximar, conversar ou manter comunicação como esses povos que têm regras próprias. Estão longe de nossas doenças. Ao menos deixem que nos procurem e não o contrário”, contextualizou.
O primeiro vídeo divulgado pela Funai mostra um índio ashaninka, que está com o grupo de antropólogos oferece comida. O início da conversa se dá dentro do Rio Envira. Depois que receberem as bananas, os índios vão até a aldeia, pegam roupas, um terçado e um machado.
Em seguida, retornam para o rio. No segundo vídeo, mostra que, no final da tarde, o grupo volta e tenta se comunicar com a equipe da Funai.
O missionário Lindomar Padilha reclama que o contato virou um show midiático e incentivou para que novos grupos busquem negociar com presentes a comunicação com os isolados. “Esses índios têm cultura particular, ainda não foram contaminados com os bens materiais das cidades. A tendência é que eles saiam da floresta em busca um novo mundo e encontre violência e doenças que antes não chegavam as suas aldeias”, alertou.
Uma das saídas para evitar essa “violência”, segundo o CIMI, seria o Governo Federal fazer o que determina a Constituição Federal, que é demarcar as áreas onde essas etnias vivem.
Em Tarauacá, uma das terras fica no Rio Muru. Falta o estudo por parte do Governo. Outras duas estão em Mâncio Lima e no parque estadual do Chandless. Essas sequer o governo tomou alguma providência para demarcá-las. No igarapé Taboca, no Alto Tarauacá, se espera uma restrição para evitar a entrada de invasores e principalmente madeireiros.



