O salário mínimo ideal para sustentar uma família de quatro pessoas no Brasil deveria ser de R$ 7.425,99, segundo levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). O valor é mais de quatro vezes superior ao salário mínimo atual, evidenciando a dificuldade enfrentada por milhões de trabalhadores para cobrir despesas básicas.
Na prática, a realidade está distante do ideal. Com o salário mínimo vigente, muitos brasileiros relatam não conseguir arcar com custos essenciais como alimentação, moradia, energia e internet.
“Não tem como. Só de energia e internet já vai uma parte grande, e a alimentação fica comprometida”, relatou um trabalhador.
Alimentação pesa no orçamento
De acordo com o estudo, a cesta básica tem sido um dos principais fatores de pressão no orçamento familiar. Em fevereiro deste ano, cerca de 46% do salário mínimo foi destinado à alimentação. Em março, esse percentual ultrapassou 48%.
O impacto é sentido diretamente no dia a dia da população, que precisa fazer escolhas difíceis para conseguir fechar as contas no fim do mês.
“O salário mínimo não paga nem o aluguel. E ainda tem feira, energia, contas… não dá”, afirmou outro entrevistado.
Diante da defasagem entre renda e custo de vida, muitos trabalhadores recorrem a atividades informais ou “bicos” para complementar o orçamento.
Em famílias chefiadas por mulheres, a situação pode ser ainda mais desafiadora, já que muitas acumulam sozinhas as despesas com alimentação, educação e cuidados com os filhos.
Especialistas apontam que um dos fatores que explicam a diferença entre o salário ideal e o real é a baixa produtividade média do trabalhador brasileiro.
Segundo a análise, o aumento da produtividade poderia permitir melhores salários e redução dos custos dos produtos, contribuindo para ampliar o poder de compra da população.



