Presidente do CRF-AC não gostou nada da iniciativa
O Projeto de Lei (PL) 5455 que defende a ideia de que alguns remédios possam ser vendidos em supermercados e em outros comércios já está em consulta pública e, na sequência, segue para as comissões.
O Senador, Sérgio Petecão, defende o PL como uma alternativa para, principalmente, cidades do interior, onde não existe um fácil acesso as redes de farmácia. “Foi no sentido de atender uma demanda específica, principalmente, na nossa região amazônica. Em uma viagem que eu fiz para o Jordão, eu estava no Novo Porto e uma mãe de família usou um termo e pediu que voltasse a ser como era antigamente onde você podia chegar em um comércio e você podia comprar uma aspirina, um engove, um sonrisal. O nosso projeto é nesse sentido e não liberar todos os remédios, tem alguns medicamentos que precisam da prescrição médica e nós vamos respeitar isso”, declarou.
Mas a resposta chegou tão rápido quanto o PL foi apresentado pelo senador. O presidente do Conselho Regional de Farmácia do Acre (CRF-AC), João Vitor Braz, não gostou nada da iniciativa do parlamentar e se disse, inclusive, surpreso ao tomar conhecimento de que, mais uma vez, a proposta voltou a tramitar em Brasília.
“Nós recebemos com susto porque ano passado nós conseguimos batalhar no Congresso Nacional e esta lei foi arquivada, este ano esta lei já veio novamente como autoria do Senador Flávio Bolsonaro, nós fomos até ele, conseguimos convencê-lo e ele também arquivou, e agora ressurgiu com o Senador Sérgio Petecão e isso nos entristece porque nós sabemos que se este Projeto de Lei for aprovado a saúde da população vai ser colocada em risco, por exemplo, a automedicação, com a automedicação hoje você pode mascarar um sintoma de uma doença porque você se medica em casa sozinho e sem o auxílio de um profissional”, explicou o presidente.
A ideia de ter alguns medicamentos disponíveis à venda também fora das drogarias e farmácias ainda é novidade, mas já agradou, em cheio, o consumidor acreano. “É uma boa opção para o povo porque final de semana as farmácias sempre estão fechadas”, falou o autônomo, Edmar Lima.
Leila Lima é proprietária de um mercantil e acredita que se a medida for aprovada, não vai faltar cliente, isso porque ela conta que muitas pessoas buscam o local à procura de remédios básicos e como a lei não permite a comercialização, ela não pode vender. “Eles procuram direto, anador, dipirona, remédio para ressaca e também para dor de barriga e não vendemos porque não pode, mas se pudéssemos vender seria muito bom”, disse a comerciante.
Mas é preciso muito cuidado com a automedicação. Para que a proposta não prejudique ou comprometa a saúde do consumidor, é preciso cautela ao definir quais remédios poderão ficar disponíveis fora das farmácias, é de fundamental importância. “Sendo um remédio que ajude a prevenir de forma casual eu acho de acordo, mas tem medicações que não são muito autorizadas”, concluiu a dona de casa, Elinaira Moraes.


