Segundo o Governo, falta de orçamento impossibilitará a criação da secretaria que era promessa de campanha
Desde 2018 o Acre vem liderando a estatística das taxas de feminicídio. No ano passado foram 12mulheres assassinadas, a maioria por seus parceiros. Esse ano já são nove assassinatos. Mulheres que são mortas simplesmente por serem mulheres, por um ódio baseado em gênero.
Durante a discussão do orçamento 2023, entidades de defesa da mulher fizeram protestos na Assembleia Legislativa do Estado do Acre (Aleac), na frente da mesa do secretário da Casa Civil e deputados, e expuseram os sapatos de mulheres que foram mortas por seus companheiros. A manifestação foi para cobrar uma promessa do governador Gladson Cameli, que antes mesmo da campanha havia prometido voltar com a Secretaria da Mulher.
Mas agora, na hora de fechar o orçamento, mais uma das promessas de campanha, já como governador reeleito, Gladson Cameli disse que a falta de orçamento impossibilitará a criação da Secretaria da Mulher, gerando mais um mal-estar entre as entidades que lutam em defesa da mulher.
Para a presidente do conselho estadual de defesa da mulher, Geovana Castelo, o governo quando não investe para pôr fim à violência contra a mulher, está incentivando a pratica desse crime.
Conforme Geovana nos fala, a secretaria de políticas para as mulheres é responsável por toda a articulação política dentro do Estado, por toda a política voltada para mulher, desde o enfrentamento à violência, como a questão de saúde e de educação. Toda política para a mulher é articulada e gerenciada por essa secretaria.
Segundo Geovana, o crescimento da violência contra a mulher, no Acre, se dá por causa da omissão do Estado. Os centros de atendimento às vítimas de violência doméstica não funcionam há 4 anos, a delegacia da mulher, além da fraca estrutura para atendimento, fecha às 18 horas, qualquer caso acima desse horário, a mulher precisa se dirigir a uma delegacia normal, o que gera um constrangimento e tira o atendimento especializado.
A oposição aproveitou o momento para criticar o orçamento que indica recursos para os programas de ajuda e prevenção aos crimes contra as mulheres. O deputado Edvaldo Magalhães, do PCdoB, disse que indicou uma emenda de R$ 1 milhão para o setor, mas a base do governo deve derrubar, e a secretaria da mulher poderá ser mais uma promessa não cumprida pelo governo estadual.
O secretário da Casa Civil Jonathan Donadoni, informou que o governo está sem recursos para criar a estrutura de uma secretaria, mas as mulheres serão contempladas dentro de outras pastas, inclusive com R$ 1,5 milhão, que serão destinados ao combate à violência contra a mulher.
Além disso, segundo ele, foi feita uma previsão na reforma administrativa, de uma secretaria adjunta exclusiva para trabalhar políticas para as mulheres. O secretário reforçou toda a infraestrutura técnica da secretaria, dando enfoque a esse tema.



