Motoristas do transporte coletivo de Rio Branco denunciaram uma série de demissões que, segundo eles, teriam ocorrido como forma de retaliação após uma paralisação realizada no dia 10 de fevereiro para cobrar o pagamento de salários atrasados.
De acordo com os trabalhadores, ao menos 21 motoristas teriam perdido o emprego depois da mobilização. Somente em um único dia, 17 profissionais foram demitidos. Os motoristas procuraram apoio na Câmara Municipal de Rio Branco, onde receberam respaldo de vereadores da oposição, que afirmaram que irão cobrar esclarecimentos da empresa responsável pelo serviço.
Um dos trabalhadores afetados foi o motorista Marcos Nunes, que estava de férias quando foi informado da demissão por meio de mensagem.
“A gente queria só uma resposta deles para qual dia eles iam pagar nós. Através disso já fomos oprimidos, fomos ameaçados, disseram que ia ter represália e teve mesmo. Ontem tivemos uma demissão em massa de 17 funcionários, e todos funcionários bons”, afirmou.
Denúncias de irregularidades
Segundo os motoristas, muitos dos profissionais demitidos trabalham na empresa desde 2022, quando ela passou a operar no sistema de transporte coletivo da capital acreana. Durante esse período, os trabalhadores afirmam que o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) nunca teria sido depositado e que atrasos salariais seriam recorrentes.
O motorista José Felizardo relatou que foi dispensado por justa causa após participar das cobranças à empresa. Ele afirma que não recebeu explicações sobre o motivo da demissão.
“Acabamos sendo penalizados e eu fui um dos mais prejudicados. Me trataram como se eu fosse um cachorro de justa causa e oficialmente eu não sei nenhum motivo dessa justa causa”, disse.
Reação na Câmara
A situação também repercutiu entre vereadores da oposição, que afirmaram que irão cobrar um posicionamento da empresa responsável pelo transporte coletivo. O contrato atual com o município foi firmado em caráter emergencial por um período de seis meses.
Para o vereador Éber Machado (MDB), a situação pode indicar irregularidades trabalhistas.
“A Ricco não tem responsabilidade nem com a população de Rio Branco e tampouco com seus próprios funcionários. O que está acontecendo é algo absurdo”, afirmou o parlamentar.
Os motoristas que permaneceram no emprego afirmam que as demissões teriam servido como um alerta para outros trabalhadores que pretendam reivindicar direitos trabalhistas. Até o momento, não houve posicionamento oficial da empresa sobre as denúncias apresentadas pelos profissionais.
Com informações de Adailson Oliveira, para a TV Gazeta.



